Adore o
Deus Santo que Reina
Texto: Salmo 99
Grande
ideia: O Deus santo deve ser adorado porque reina sobre as nações com justiça
e, por meio de Cristo, ouve, perdoa e santifica o seu povo.
Introdução
Vivemos em
uma época em que muitas pessoas buscam a Deus principalmente por aquilo que
desejam receber.
Buscamos
livramento, direção, cura, provisão e respostas para nossos problemas. Não há
nada errado em apresentar nossas necessidades ao Senhor. Ele mesmo nos convida
a fazer isso.
O perigo está em desejar apenas sua mão, sem
desejar sua presença.
Podemos
cantar sobre Deus, falar sobre Deus e servir em nome de Deus. Mesmo assim,
podemos perder a reverência diante de quem Ele é.
Falamos com Deus sem temor.
Ouvimos sua Palavra sem atenção.
Confessamos nossos pecados sem verdadeiro
quebrantamento.
Celebramos o perdão, mas nos esquecemos de
quanto ele custou.
Ao estudar este salmo, eu também precisei
examinar meu coração.
Quantas
vezes busco o que Deus pode fazer por mim, mas não paro para contemplar quem
Ele é?
Quantas vezes recebo sua graça sem a
reverência que a cruz deveria produzir em mim?
O Salmo 99 nos coloca diante do Senhor como
Ele realmente é.
Ele é o Rei exaltado sobre todos os povos.
Ele é justo em seu governo.
Ele ouve seu povo.
Ele perdoa, mas não trata o pecado como algo
pequeno.
Do começo ao fim, uma verdade se repete:
Deus é santo.
O salmo nos chama a tremer, exaltar,
prostrar-nos e adorar.
Sua mensagem é esta:
O Deus
santo deve ser adorado porque reina sobre as nações com justiça e, por meio de
Cristo, ouve, perdoa e santifica o seu povo.
Vamos observar três verdades apresentadas pelo
salmista.
1. Adore o
Deus santo que reina sobre as nações
O salmo começa com uma declaração simples e
poderosa:
“Reina o Senhor.”
O Senhor não é um espectador da história.
Ele não está tentando assumir o controle do
mundo.
Ele não é surpreendido pelo que acontece na
terra.
Ele reina.
Nada está
fora de sua autoridade. As nações, os governantes e as circunstâncias da nossa
vida permanecem debaixo de seu domínio.
O salmista diz que o Senhor está entronizado
entre os querubins.
Essa imagem
nos lembra a presença de Deus no meio de seu povo. Também revela sua majestade
e santidade.
Os reis
deste mundo se assentam em tronos frágeis. Dependem de força militar, apoio
político e acordos humanos.
O reinado de Deus não depende de nada disso.
Ele reina porque é Deus.
Por isso, o salmista declara:
“Tremam os povos.”
Esse tremor
não é o desespero de quem acredita estar diante de um Deus mau. É a reverência
de quem reconhece que está diante do Rei santo do universo.
Nós, que
fomos recebidos em Cristo, não vivemos dominados pelo terror da condenação.
Somos filhos acolhidos pela graça.
Mas a confiança de filhos não elimina a
reverência.
Deus é nosso Pai, mas continua sendo santo.
Nós nos
aproximamos com liberdade por causa de Cristo, mas não tratamos sua presença
como algo comum.
O versículo 2 declara que o Senhor é grande em
Sião e exaltado sobre todos os povos.
Ele é o Rei
de toda a terra, mas escolheu revelar sua presença de maneira especial no meio
de seu povo.
Então, o versículo 3 chama as nações ao
louvor:
“Louvem o teu nome grande e tremendo, pois é
santo.”
Deus não deve ser adorado apenas porque é
poderoso.
Ele deve ser adorado porque é santo.
Seu poder nunca está separado de sua
santidade.
Essa verdade também nos ajuda quando sentimos
medo.
Nós
enfrentamos doenças, perdas, perseguições e injustiças. Algumas situações
realmente abalam nosso coração.
Mas nenhuma delas ocupa o trono.
A doença não reina.
A injustiça não reina.
Os governantes deste mundo não reinam de
maneira absoluta.
O Senhor reina.
Essa verdade encontra sua expressão plena em
Jesus Cristo.
Jesus foi
rejeitado, crucificado e colocado em um túmulo. Aos olhos humanos, parecia
derrotado.
Mas a morte não pôde vencê-lo.
Ao terceiro dia, Ele ressuscitou. Depois,
subiu aos céus e assentou-se à direita do Pai.
O Cristo crucificado é o Rei ressuscitado.
Ele declarou:
“É-me dado todo o poder no céu e na terra.”
Cristo reina agora.
Seu governo
não começará apenas no futuro. Ele já reina sobre todas as coisas e conduz a
história para o cumprimento dos propósitos de Deus.
Isso não
significa que compreenderemos tudo o que Ele permite. Também não significa que
nossa dor deixará de ser real.
Significa que não estamos nas mãos do acaso.
Estamos sob o governo do Rei santo.
Por isso, a
igreja não responde às dificuldades com desespero. Nós choramos, oramos e
buscamos ajuda. Mas fazemos tudo isso confiando no Senhor que reina.
Portanto, adore o Deus santo que reina sobre
as nações.
2. Adore o
Deus santo que governa com justiça
Depois de mostrar que o Senhor reina, o
salmista nos mostra como Ele reina.
O versículo 4 diz:
“E a força do Rei ama o juízo; tu firmas a
equidade, fazes juízo e justiça em Jacó.”
O poder de Deus nunca está separado de seu
caráter.
Entre os
homens, poder e justiça nem sempre caminham juntos. Muitas pessoas usam sua
posição para oprimir, manipular e proteger seus próprios interesses.
Deus não é assim.
Ele ama a justiça.
Seu governo
não é corrupto, parcial ou instável. Ele não pode ser comprado nem enganado.
O Senhor nunca chama o mal de bem nem o bem de
mal.
Ele é santo.
Isso traz consolo para quem sofre
injustamente.
Vivemos em
um mundo no qual pessoas mentem e prosperam. Inocentes sofrem. Os fracos são
esquecidos. Há abusos que permanecem escondidos e decisões humanas que não
fazem justiça.
Mas nenhuma dessas coisas escapa aos olhos de
Deus.
Mesmo
quando a justiça humana falha, o Rei santo vê. Se uma injustiça não for
plenamente tratada nesta vida, certamente será levada a juízo diante dele.
Por isso, o versículo 5 declara:
“Exaltai ao
Senhor nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de seus pés, porque ele é
santo.”
Observe o movimento do texto.
Primeiro, o salmista nos mostra quem Deus é.
Depois, chama-nos à adoração.
A verdadeira adoração nasce do conhecimento do
caráter de Deus.
Nós o exaltamos porque Ele ama a justiça.
Nós nos prostramos porque seu governo é reto.
Nós descansamos porque a justiça final está em
suas mãos.
Isso não
nos torna indiferentes ao sofrimento. Se Deus ama a justiça, seu povo também
deve amar.
Devemos
defender os fracos, denunciar o mal, proteger os vulneráveis e buscar aquilo
que é correto.
Mas fazemos isso sem tomar para nós o lugar do
Juiz.
Ao estudar este trecho, também preciso
perguntar a mim mesmo:
Tenho buscado justiça ou apenas vingança?
Desejo que o mal seja corrigido ou quero ver a
pessoa que me feriu destruída?
A confiança
no justo governo de Deus nos livra tanto da indiferença quanto da vingança.
Cristo também está no centro dessa verdade.
Na cruz, vemos que Deus não ignora o pecado.
Se Deus simplesmente deixasse o pecado sem
julgamento, não seria justo.
Mas, na
cruz, Jesus recebeu o juízo devido ao seu povo. Ele carregou nossa culpa e
satisfez a justiça divina em nosso lugar.
A cruz não revela um Deus que deixou de ser
santo para nos perdoar.
Ela revela
que Deus permaneceu justo e, ao mesmo tempo, justificou aqueles que creem em
Jesus.
O Cristo que morreu também ressuscitou.
E o Rei
ressuscitado voltará para julgar o mundo com justiça. Nenhuma mentira
permanecerá para sempre. Nenhum abuso será escondido de seus olhos. Nenhum mal
terá a palavra final.
Para aqueles que estão em Cristo, isso é
consolo.
Nosso Salvador é também o justo Rei.
Para aqueles que permanecem fora de Cristo,
isso é uma advertência.
O Rei santo virá, e ninguém poderá justificar
a si mesmo diante dele.
Portanto, adore o Deus santo que governa com
justiça.
3. Adore o
Deus santo que ouve, perdoa e corrige seu povo
Na terceira parte do salmo, o foco se volta
para a relação de Deus com seu povo.
O salmista menciona Moisés, Arão e Samuel.
Moisés intercedeu pelo povo.
Arão serviu como sacerdote.
Samuel foi profeta e homem de oração.
O versículo 6 diz:
“Clamavam ao Senhor, e ele lhes respondia.”
A santidade de Deus não significa distância
fria.
O Deus exaltado acima de todos os povos ouve o
clamor de seus servos.
O Deus entronizado entre os querubins também
se aproxima de seu povo.
O versículo
7 recorda que Deus falou na coluna de nuvem. Ele revelou sua vontade, deu seus
mandamentos e conduziu aqueles que lhe pertenciam.
Isso nos mostra que a verdadeira adoração
também envolve obediência.
Não podemos afirmar que reverenciamos a Deus
enquanto desprezamos sua Palavra.
Adorar o Deus santo é ouvi-lo e submeter nossa
vida ao que Ele diz.
Então chegamos ao versículo 8:
“Tu lhes
respondeste, Senhor nosso Deus; tu foste para eles um Deus perdoador, embora
vingador dos seus feitos.”
Esse versículo exige nossa atenção.
O salmo
mostra que Deus ouviu seus servos e foi perdoador. Ao mesmo tempo, não deixou
sem resposta os pecados cometidos no meio de seu povo.
Deus perdoa, mas não banaliza o pecado.
Ele é misericordioso, mas continua sendo
santo.
Precisamos tomar cuidado para não separar
essas verdades.
Alguns pensam:
“Se Deus perdoa, então meu pecado não deve ser
tão sério.”
Outros pensam:
“Se Deus está me corrigindo, então Ele deixou
de me amar.”
As duas conclusões estão erradas.
O perdão não transforma o pecado em algo
pequeno.
A correção de Deus também não significa
necessariamente rejeição.
Aqui precisamos olhar novamente para Cristo.
Jesus é o Mediador perfeito.
Moisés,
Arão e Samuel serviram ao povo de Deus, mas nenhum deles podia oferecer uma
mediação completa e permanente.
Cristo pode.
Ele não apenas ora por seu povo.
Ele entregou a própria vida por seu povo.
Na cruz,
recebeu toda a condenação daqueles que o Pai lhe deu. O juízo que nos separava
de Deus caiu sobre Ele.
Por isso, a Escritura declara:
“Nenhuma condenação há para os que estão em
Cristo Jesus.”
O crente não é disciplinado para pagar pelos
pecados que Cristo já pagou.
Não existe uma parte da condenação deixada
para nós.
A obra de Cristo é suficiente.
Contudo, o Pai continua corrigindo seus
filhos.
Essa correção não é condenação judicial. É
disciplina paterna.
Deus não
nos disciplina como um juiz punindo um criminoso que permanece sob condenação.
Ele nos disciplina como Pai que ama seus filhos e deseja fazê-los participar de
sua santidade.
Quando Deus
expõe nosso pecado, não está tentando destruir aqueles que estão em Cristo.
Ele está nos chamando de volta.
Quando sua Palavra nos confronta, não devemos
fugir.
Precisamos confessar nosso pecado e descansar
novamente na graça do Salvador.
O Cristo ressuscitado também nos deu seu
Espírito.
É o
Espírito Santo quem abre nossos olhos, convence-nos do pecado e produz em nós
reverência e obediência.
Não conseguimos santificar a nós mesmos.
A graça que perdoa também nos transforma.
O Espírito
aplica em nós a obra de Cristo e nos ensina a abandonar aquilo que desagrada ao
Senhor.
Por isso, o versículo 9 encerra o salmo com
uma convocação:
“Exaltai ao
Senhor nosso Deus, e adorai-o no seu santo monte, pois o Senhor nosso Deus é
santo.”
Esse é o ponto culminante.
O Senhor é santo em seu reinado.
É santo em sua justiça.
É santo em seu perdão.
É santo na maneira como corrige e santifica
seu povo.
Por isso, não devemos tratar a graça como
licença para pecar.
Também não devemos interpretar toda correção
como abandono.
Precisamos
confessar nossos pecados, receber o perdão assegurado por Cristo e pedir ao
Espírito Santo que produza em nós uma vida de obediência.
A graça de Deus nunca diminui sua santidade.
Ela nos ensina a amá-la.
Portanto, adore o Deus santo que ouve, perdoa
e corrige seu povo.
Conclusão
O Salmo 99 começa e termina com Deus.
Ele reina.
Ele ama a justiça.
Ele ouve.
Ele perdoa.
Ele corrige.
Ele é santo.
Ao ouvir
essa Palavra, eu também preciso examinar como tenho me aproximado do Senhor.
Tenho desejado conhecer a Deus ou apenas
receber algo de suas mãos?
Tenho descansado em seu governo ou vivido
dominado pelo medo?
Tenho buscado justiça ou alimentado vingança?
Tenho recebido seu perdão com reverência ou
tratado a graça como algo comum?
Tenho ouvido sua Palavra quando ela corrige
meu coração?
O Salmo 99 não nos permite tratar Deus como
comum.
Mas também não nos deixa sem esperança diante
de sua santidade.
Jesus Cristo é o Rei ressuscitado, o justo
Juiz e o Mediador perfeito.
Na cruz, Ele recebeu a condenação de seu povo.
Na ressurreição, venceu a morte.
Em sua ascensão, foi exaltado à direita do
Pai.
Agora, reina sobre todas as coisas, intercede
por nós e derrama seu Espírito sobre seu povo.
Por meio dele, podemos nos aproximar do Deus
santo.
Não com irreverência.
Não confiando em nossos méritos.
Mas com fé, gratidão e temor.
Se você ainda está fora de Cristo, não
permaneça diante do Deus santo carregando sua própria culpa.
Você não poderá justificar a si mesmo.
Arrependa-se e creia no Senhor Jesus. Somente
Ele pode reconciliá-lo com Deus.
Se você pertence a Cristo, não banalize a
graça.
O Deus que perdoa também santifica.
O Deus que salva também corrige.
O Deus que reina também deve ser obedecido.
Mas
lembre-se: sua segurança não está na perfeição de sua obediência. Está na
obediência perfeita de Cristo e no sacrifício que Ele ofereceu em seu lugar.
Que o Senhor nos livre de uma religião
superficial.
Que o
Espírito Santo produza em nós reverência, arrependimento, fé e alegria diante
de Deus.
E que nossa vida responda ao chamado do
salmista:
“Exaltai ao Senhor nosso Deus, e adorai-o,
pois santo é o Senhor nosso Deus.”
Adore o Deus santo que reina.
Adore o Deus santo que governa com justiça.
Adore o Deus santo que, em Cristo, ouve,
perdoa e santifica seu povo.
Porque santo é o Senhor nosso Deus.
Amém.
Soli Deo Gloria!
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026