Onde eu estaria hoje se não fosse por Cristo?
Às vezes faço essa pergunta e a resposta sempre me leva para o mesmo lugar:
de volta àquele adolescente que eu fui.
Eu me lembro da dor da separação dos meus pais. Lembro da sensação de que
algo havia se quebrado dentro de casa e também dentro de mim. Naquela época, eu
não sabia colocar nome no que sentia. Só sabia que carregava uma inquietação
constante, uma mistura de tristeza, raiva e insegurança.
Quem me visse de fora talvez dissesse apenas que eu era rebelde.
E, de fato, eu era.
Não gostava que me dissessem o que fazer. Desconfiava de qualquer pessoa que
tentasse me orientar. Autoridade, para mim, parecia sinônimo de ameaça. Eu
queria tomar minhas próprias decisões, seguir meus próprios caminhos e não dar
satisfação a ninguém.
Hoje percebo que aquela independência que eu tanto defendia era apenas outra
forma de prisão.
Minha dor ocupava tanto espaço dentro de mim que eu quase não conseguia
enxergar além dela. Eu queria ser compreendido, mas raramente parava para
compreender os outros. Queria receber amor, mas nem sempre sabia demonstrá-lo.
Sentia falta de muitas coisas, mas não percebia quantas já havia recebido.
Havia pessoas cuidando de mim.
Havia portas se abrindo.
Havia livramentos que eu nem imaginava.
Havia graça.
Mas eu ainda não conseguia enxergá-la.
Olhando para trás, vejo quantas vezes Deus esteve presente quando eu nem
pensava nele. Quantas vezes sua mão me sustentou sem que eu percebesse. Quantas
vezes fui preservado quando poderia ter seguido caminhos muito mais
destrutivos.
Então Cristo entrou na minha história.
Não foi porque eu o procurava com sinceridade. Não foi porque eu estava
pronto para mudar. Não foi porque havia algo em mim que merecesse ser
encontrado.
Ele simplesmente veio ao meu encontro.
Ele me amou quando eu ainda estava perdido.
Ele teve paciência com minha resistência.
Ele não desistiu de mim.
Pouco a pouco, aquilo que eu era começou a ser transformado.
A ferida não desapareceu de uma vez, mas deixou de definir minha identidade.
A rebeldia começou a dar lugar à submissão.
O egoísmo foi confrontado pelo amor de Cristo.
A ingratidão começou a ser substituída pela adoração.
E, sem que eu imaginasse, Deus passou a construir uma história completamente
diferente daquela que eu teria escrito para mim mesmo.
Foi Cristo quem colocou em meu coração amor pela sua Palavra.
Foi Cristo quem me deu alegria em anunciar o Evangelho.
Foi Cristo quem me concedeu uma esposa fiel para caminhar ao meu lado.
Foi Cristo quem me presenteou com filhos, netos, irmãos na fé, uma igreja
para servir e um ministério para exercer.
Quando olho para tudo isso, não vejo uma coleção de conquistas pessoais.
Vejo evidências da graça.
Vejo a paciência de Deus com um pecador.
Vejo a misericórdia de um Salvador que não desistiu de mim.
Por isso, quando me pergunto onde estaria hoje se não fosse por Cristo, não
preciso pensar muito.
Eu estaria perdido.
Talvez continuasse tentando preencher vazios que só Deus pode preencher.
Talvez continuasse correndo atrás de uma liberdade que nunca encontraria.
Talvez continuasse preso ao mesmo orgulho, à mesma rebeldia e às mesmas
feridas.
Mas Cristo me encontrou.
E porque Ele me encontrou, posso olhar para o passado sem orgulho e para o
futuro sem medo.
Minha história não é a história de um homem que conseguiu se levantar
sozinho.
É a história de um Salvador que veio buscar alguém que jamais conseguiria
encontrar o caminho de volta.
Se não fosse Cristo, eu não estaria aqui.
Se não fosse a graça, eu não teria permanecido.
Se não fosse a cruz, eu não teria esperança.
A Ele toda a glória.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026