Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã, a gente vive cercado
de esperas, não é? Espera pelo resultado, pela porta que se abre, pela dor que
diminui, pela oração que parece demorar. E, sem perceber, a alma vai aprendendo
(ou desaprendendo) a esperar. Por isso, é tão precioso olhar para a grande
escola bíblica da espera: a espera da Primeira Vinda e a espera da Segunda
Vinda.
No Antigo Testamento, o povo de Deus caminhava
com uma promessa no peito. Era como segurar uma pequena chama no vento. Deus
havia falado, e isso bastava para manter a esperança viva. Desde o Éden, quando
o Senhor anuncia que a descendência da mulher pisaria a cabeça da serpente (Gn
3.15), a história inteira passa a andar na direção de um Alguém. Abraão
aguardou “o filho da promessa”; Israel aguardou libertação; Davi aguardou o
Reino firme; os profetas aguardaram o Renovo. A espera verdadeira sempre teve a
mesma raiz: a fidelidade de Deus em prometer e cumprir.
E então chegamos à cena simples e santa de Lucas
2: Simeão, “justo e piedoso”, que “esperava a consolação de Israel”; e Ana, que
falava do Menino “a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc
2.25,38). Percebe? A espera deles não era um hobby religioso; era fé paciente.
Era gente comum sustentada por uma palavra incomum: Deus não mente.
Mas há um contraste decisivo entre aquela espera
e a nossa. Antes, o povo aguardava o Messias para inaugurar a redenção. Eles
esperavam a chegada do Cordeiro, ainda sem ver a cruz fincada no chão. Nós,
agora, aguardamos o mesmo Cristo para consumá-la. Nós olhamos para trás e
dizemos com alegria: Ele veio. O Verbo se fez carne, viveu sem pecado, morreu
por nós e ressuscitou. A redenção foi inaugurada de uma vez por todas na
história. Ainda assim, olhamos para frente e gememos com esperança, porque a
obra já começou em nós, mas ainda não foi concluída no mundo inteiro. É o “já e
ainda não” do Reino: já somos justificados; ainda aguardamos a glorificação. Já
fomos reconciliados; ainda aguardamos a restauração de todas as coisas. Como
Paulo descreve, “aguardamos… a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23).
Por isso, a nossa espera tem a mesma raiz e uma
esperança ainda mais nítida. A raiz é a promessa fiel de Deus; a esperança é o
Cristo já revelado, que prometeu voltar. A Igreja vive entre duas vindas, com
os pés no chão e o coração no céu. E o Novo Testamento descreve essa postura
como gente que “aguarda… a bendita esperança e a manifestação da glória do
nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13). Não é fuga do mundo; é
firmeza no meio dele.
Agora, vamos ser bem honestos: esperar cansa.
Esperar expõe nossa ansiedade de controle. A carne quer atalhos; o coração,
quando ferido, quer resolver tudo no grito ou desistir no silêncio. E é aqui
que o evangelho nos corrige com ternura. A espera cristã não é passividade; é
perseverança. Não é cruzar os braços; é segurar a promessa com as duas mãos. É
o tipo de fé que aprende a dizer: “Mesmo que demore, eu confio no Deus que não
falha.” Pedro nos lembra que, se aos nossos olhos parece tardar, Deus não é lento;
Ele é paciente e sábio (2Pe 3.9). A demora, muitas vezes, é misericórdia
trabalhando em profundidade.
A espera verdadeira, então, é fé paciente. É
continuar obedecendo quando o coração está sem aplausos. É continuar orando
quando parece que o céu está em silêncio. É continuar amando quando o mundo
recompensa o egoísmo. É continuar congregando, servindo e anunciando Cristo,
enquanto a cidade corre para todos os lados. Tiago usa uma imagem simples: o
lavrador espera o precioso fruto da terra com paciência (Tg 5.7). Ele não “faz”
a chuva cair, mas ele prepara o solo, arranca as ervas daninhas, mantém o campo
pronto. Assim é a Igreja: ela não controla o dia da volta, mas vive em
santidade, esperança e missão, porque sabe quem prometeu.
E aqui está um consolo que eu queria colocar no
seu colo: a nossa esperança não é uma ideia; é uma Pessoa. Nós não aguardamos
“um final melhor”. Nós aguardamos o próprio Cristo. Aquele que veio em
humildade virá em glória. Aquele que carregou uma cruz trará a plena
restauração. Aquele que começou a boa obra vai completá-la (Fp 1.6). E quando a
alma tremer, cansada de esperar, lembre-se: Deus já provou a fidelidade dele na
Primeira Vinda. A manjedoura é o “sim” de Deus às promessas. A cruz é o “está
pago”. A ressurreição é o “novo mundo começou”. Então, a Segunda Vinda não é um
palpite; é a consumação garantida.
Que o Senhor te dê essa fé paciente que respira
promessa e caminha com esperança. E que, enquanto você espera, o Espírito Santo
te ensine a olhar para Cristo com olhos firmes, dizendo no íntimo: “Vem, Senhor
Jesus” (Ap 22.20). Até lá, descanse: a história está nas mãos do Deus que
promete e cumpre, e a Igreja aguarda não um talvez, mas um Rei que certamente
voltará.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2025
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