segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A espera da Primeira Vinda e a espera da Segunda Vinda.

Bem-vindos! 🖐️

Querido irmão, querida irmã, a gente vive cercado de esperas, não é? Espera pelo resultado, pela porta que se abre, pela dor que diminui, pela oração que parece demorar. E, sem perceber, a alma vai aprendendo (ou desaprendendo) a esperar. Por isso, é tão precioso olhar para a grande escola bíblica da espera: a espera da Primeira Vinda e a espera da Segunda Vinda.

No Antigo Testamento, o povo de Deus caminhava com uma promessa no peito. Era como segurar uma pequena chama no vento. Deus havia falado, e isso bastava para manter a esperança viva. Desde o Éden, quando o Senhor anuncia que a descendência da mulher pisaria a cabeça da serpente (Gn 3.15), a história inteira passa a andar na direção de um Alguém. Abraão aguardou “o filho da promessa”; Israel aguardou libertação; Davi aguardou o Reino firme; os profetas aguardaram o Renovo. A espera verdadeira sempre teve a mesma raiz: a fidelidade de Deus em prometer e cumprir.

E então chegamos à cena simples e santa de Lucas 2: Simeão, “justo e piedoso”, que “esperava a consolação de Israel”; e Ana, que falava do Menino “a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2.25,38). Percebe? A espera deles não era um hobby religioso; era fé paciente. Era gente comum sustentada por uma palavra incomum: Deus não mente.

Mas há um contraste decisivo entre aquela espera e a nossa. Antes, o povo aguardava o Messias para inaugurar a redenção. Eles esperavam a chegada do Cordeiro, ainda sem ver a cruz fincada no chão. Nós, agora, aguardamos o mesmo Cristo para consumá-la. Nós olhamos para trás e dizemos com alegria: Ele veio. O Verbo se fez carne, viveu sem pecado, morreu por nós e ressuscitou. A redenção foi inaugurada de uma vez por todas na história. Ainda assim, olhamos para frente e gememos com esperança, porque a obra já começou em nós, mas ainda não foi concluída no mundo inteiro. É o “já e ainda não” do Reino: já somos justificados; ainda aguardamos a glorificação. Já fomos reconciliados; ainda aguardamos a restauração de todas as coisas. Como Paulo descreve, “aguardamos… a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23).

Por isso, a nossa espera tem a mesma raiz e uma esperança ainda mais nítida. A raiz é a promessa fiel de Deus; a esperança é o Cristo já revelado, que prometeu voltar. A Igreja vive entre duas vindas, com os pés no chão e o coração no céu. E o Novo Testamento descreve essa postura como gente que “aguarda… a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13). Não é fuga do mundo; é firmeza no meio dele.

Agora, vamos ser bem honestos: esperar cansa. Esperar expõe nossa ansiedade de controle. A carne quer atalhos; o coração, quando ferido, quer resolver tudo no grito ou desistir no silêncio. E é aqui que o evangelho nos corrige com ternura. A espera cristã não é passividade; é perseverança. Não é cruzar os braços; é segurar a promessa com as duas mãos. É o tipo de fé que aprende a dizer: “Mesmo que demore, eu confio no Deus que não falha.” Pedro nos lembra que, se aos nossos olhos parece tardar, Deus não é lento; Ele é paciente e sábio (2Pe 3.9). A demora, muitas vezes, é misericórdia trabalhando em profundidade.

A espera verdadeira, então, é fé paciente. É continuar obedecendo quando o coração está sem aplausos. É continuar orando quando parece que o céu está em silêncio. É continuar amando quando o mundo recompensa o egoísmo. É continuar congregando, servindo e anunciando Cristo, enquanto a cidade corre para todos os lados. Tiago usa uma imagem simples: o lavrador espera o precioso fruto da terra com paciência (Tg 5.7). Ele não “faz” a chuva cair, mas ele prepara o solo, arranca as ervas daninhas, mantém o campo pronto. Assim é a Igreja: ela não controla o dia da volta, mas vive em santidade, esperança e missão, porque sabe quem prometeu.

E aqui está um consolo que eu queria colocar no seu colo: a nossa esperança não é uma ideia; é uma Pessoa. Nós não aguardamos “um final melhor”. Nós aguardamos o próprio Cristo. Aquele que veio em humildade virá em glória. Aquele que carregou uma cruz trará a plena restauração. Aquele que começou a boa obra vai completá-la (Fp 1.6). E quando a alma tremer, cansada de esperar, lembre-se: Deus já provou a fidelidade dele na Primeira Vinda. A manjedoura é o “sim” de Deus às promessas. A cruz é o “está pago”. A ressurreição é o “novo mundo começou”. Então, a Segunda Vinda não é um palpite; é a consumação garantida.

Que o Senhor te dê essa fé paciente que respira promessa e caminha com esperança. E que, enquanto você espera, o Espírito Santo te ensine a olhar para Cristo com olhos firmes, dizendo no íntimo: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20). Até lá, descanse: a história está nas mãos do Deus que promete e cumpre, e a Igreja aguarda não um talvez, mas um Rei que certamente voltará.

✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2025                           

Nenhum comentário:

Postar um comentário

📝 Política de Comentários – Comunidade Faz Bem Refletir

A Comunidade Faz Bem Refletir existe para fortalecer a fé, consolar corações cansados e apontar para Cristo como centro de tudo.
Por isso, os comentários precisam caminhar na mesma direção.

1. Cristo no centro e respeito em tudo

Comentários devem refletir o espírito do evangelho: respeito, mansidão e amor à verdade.

Não serão aceitos ataques pessoais, ironias agressivas, xingamentos ou qualquer forma de desrespeito.

2. Ambiente de edificação, não de confusão

O objetivo é edificar, não vencer debates.

Discussões doutrinárias são bem-vindas quando feitas com humildade, dentro da fé cristã histórica e da teologia reformada, sem espírito de contenda.

3. Nada de conteúdo impróprio

Não serão permitidos:

discursos de ódio, preconceito ou discriminação;

links ou imagens inadequados;

pirataria, propaganda comercial, correntes ou spam.

4. Cuidado com exposições pessoais

Pedidos de oração e testemunhos são bem-vindos, mas evite expor detalhes íntimos de outras pessoas sem consentimento.

Proteja sempre a honra e a privacidade dos irmãos.

5. Ação da moderação

A administração poderá editar, ocultar ou excluir comentários que contrariem estas orientações.

Perfis que insistirem em atitudes desrespeitosas poderão ser bloqueados, para preservarmos um ambiente seguro e saudável.

Nosso compromisso é simples: manter um espaço onde a Palavra de Deus seja honrada, Cristo seja exaltado e cada comentário realmente… faça bem refletir.

Adore o Deus Santo que Reina

Adore o Deus Santo que Reina Texto: Salmo 99 Grande ideia: O Deus santo deve ser adorado porque reina sobre as nações com justiça e, p...