Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
quando dizemos que “a história ecoa a glória de
Deus”, estamos confessando algo maior do que conseguimos enxergar com os olhos.
Porque, se olharmos só as notícias, as guerras, as injustiças, as perdas da
nossa própria vida, talvez a conclusão fosse outra: “a história ecoa caos, dor,
confusão”. Mas a fé nos chama a ver mais fundo, a olhar para além da
superfície, e perceber que, por trás das linhas tortas da história humana, há
uma mão sábia guiando tudo para um fim de glória.
A Bíblia começa com um Deus que fala e o universo
obedece. “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Cada estrela
colocada no lugar, cada mar limitado pela ordem divina, cada estação do ano,
tudo responde a essa voz que chama à existência. O salmista diz que “os céus
proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl
19.1). A criação é o primeiro “eco”: o universo inteiro é como um grande
santuário onde cada detalhe sussurra: “Ele é glorioso”.
Mas Deus não é apenas Senhor de galáxias; Ele é
Senhor da história. Nada escapa ao Seu governo. Paulo, olhando para o plano
eterno de Deus, resume assim: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são
todas as coisas; a ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36). Percebe?
A história não começou em nós, não é sustentada por nós e não vai terminar para
nós. Ela vem de Deus, é conduzida por Deus, e caminha de volta para Deus. É por
isso que a história ecoa a glória dEle: porque tudo, no fim, será reunido aos
pés de Cristo (Ef 1.10).
Se olharmos para as páginas da Escritura, veremos
isso o tempo todo. Deus conduz impérios, eleva reis e derruba tronos, abre
mares e fecha bocas de leões. Mas, curiosamente, Ele faz Sua glória brilhar de
maneira especial em caminhos que o mundo chamaria de fracasso. Pense na cruz.
Aos olhos daquela sexta-feira, a história parecia ter virado um grito de
derrota: o Filho de Deus pendurado entre criminosos, o céu escurecido, os
discípulos espalhados. Mas ali, exatamente ali, Deus estava escrevendo o capítulo
mais glorioso da história humana. Aquilo que o mundo chamou de fracasso foi o
cenário que Deus escolheu para revelar a sua maior vitória. A história ecoa a
glória de Deus, sobretudo na cruz e na ressurreição de Jesus.
Isso significa que até mesmo os momentos de
sombra da nossa história pessoal não são ruídos aleatórios. José, traído pelos
irmãos, vendido, injustiçado, preso, poderia ter se afundado na amargura. Mas,
anos depois, olhando para trás, ele diz: “Vós, na verdade, intentastes o mal
contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.20). Não foi que o mal deixou de
ser mal. Foi que a mão soberana de Deus pegou até o mal e o colocou a serviço
de um propósito maior. A nossa história, com suas dores e caminhos que não entendemos,
também pode ecoar a glória de Deus quando vista à luz da providência.
Talvez hoje você olhe para sua própria vida e
veja capítulos que preferiria arrancar do livro: quedas, perdas, pecados,
traumas, portas que se fecharam. O coração pode pensar: “Que glória pode haver
nisso?”. O evangelho responde com voz mansa e firme: a graça de Deus é
especialista em pegar cacos e transformá-los em testemunho. Quando Ele perdoa
pecadores, restaura histórias quebradas, consola corações esmagados, não está
simplesmente “arrumando” vidas; está mostrando, diante do universo, a riqueza
da sua misericórdia. Até as cicatrizes podem se tornar ecos da glória de Deus,
quando são curadas pela mão de Cristo.
Também é verdade que a história do mundo caminha
para um fim já anunciado. Não estamos navegando sem destino. A Bíblia nos leva
ao último capítulo, onde João vê um Cordeiro no centro do trono, e ouve
milhares de vozes proclamando: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o
poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (Ap 5.12).
É como se toda a história – das guerras aos abraços, das lágrimas aos cânticos
– fosse se afinando para esse grande coro final, em que não sobrará dúvida:
tudo sempre foi sobre Ele.
Enquanto isso, entre o Gênesis e o Apocalipse, há
um espaço onde você e eu respiramos, trabalhamos, choramos, oramos. E é aqui,
nesse “meio da história”, que somos chamados a crer que a glória de Deus está
ecoando, ainda que nem sempre possamos ouvir com clareza. Cada vez que você
perdoa em nome de Cristo, há um eco da glória de Deus. Cada vez que você
escolhe a verdade em vez da mentira, a pureza em vez da impureza, o serviço em
vez do egoísmo, a história da graça ressoa mais uma vez, ainda que o mundo não
aplauda. Quando um coração endurecido se rende ao evangelho, o céu inteiro
vibra, porque mais um capítulo da graça foi escrito.
Talvez hoje seu pedido seja simples: “Senhor, faz
a minha pequena história ecoar a Tua glória”. Não se trata de uma vida
grandiosa aos olhos do mundo, mas de uma vida fiel aos olhos de Deus. Uma mãe
que ora pelos filhos, um trabalhador que serve com honestidade, um jovem que
guarda o coração, um idoso que persevera em esperança – tudo isso, diante do
trono, são notas que compõem a grande melodia da glória divina na história.
Meu irmão, minha irmã, que o Espírito Santo
renove em você esta certeza: a história não está solta, a sua vida não está à
deriva, o mundo não está sem rumo. A história ecoa a glória de Deus, e um dia
veremos isso com total nitidez. Até lá, que o Senhor nos sustente, para que, no
meio das dúvidas e dores, possamos continuar caminhando em fé, dizendo: “Dele,
por Ele e para Ele são todas as coisas”. Que a sua vida, com tudo o que ela
carrega, seja colocada nas mãos do Autor soberano, e que cada passo seu, cada
lágrima sua, cada oração sussurrada, faça parte desse eco santo que aponta para
a glória de Cristo. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
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