Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
há dias em que a alma parece uma casa cheia de
ecos: desejos antigos batendo nas paredes do coração, esperanças que não sabem
exatamente para onde correr, carências que tentam se aliviar do jeito errado.
Talvez você conheça bem isso. Antes de conhecermos o Senhor, a nossa fome por
sentido e descanso costuma se expressar de formas dolorosas. A gente procura
vida onde só há migalhas, abraço onde só há espinhos, luz onde ainda é noite.
Mas a Escritura nos apresenta uma notícia que
muda o chão debaixo dos nossos pés: Cristo não é apenas uma ajuda para alguns
momentos; Ele é o próprio cumprimento. Ele se revela como “o Alfa e o Ômega”,
aquele que é, que era e que há de vir (Ap 1.8; cf. Ap 22.13). Percebe? Não
estamos falando de uma peça a mais no quebra-cabeça da vida, mas dAquele em
quem todas as coisas encontram o seu sentido e o seu fim.
E quando Ele chega, Ele não chega de longe. Ele
vem com presença. Ele não se limita a nos dar instruções; Ele nos dá a si
mesmo. O mesmo Deus que nos encontrou vulneráveis neste mundo, expostos ao mal
ao redor e ao pecado dentro de nós, agora nos envolve com cuidado real. Há um
tipo de proteção que não é a ausência de luta, mas a certeza de braços fiéis. O
Senhor nos tira da sombra e nos conduz para a claridade do seu evangelho. Como
diz a Palavra, Ele “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o
reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). E Pedro chama isso de “sua maravilhosa
luz” (1Pe 2.9). Não é só uma mudança de cenário; é uma mudança de
pertencimento.
Agora, no caminho com Ele, o Pai derrama
alegrias, providencia prazeres simples, abre portas, concede dádivas boas. E
nós podemos — e devemos — receber tudo isso com gratidão. Porque “toda boa
dádiva e todo dom perfeito são lá do alto” (Tg 1.17). Mas aqui mora uma
sutileza do coração: aquilo que Deus dá pode, sem percebermos, tomar o lugar de
Deus. A mão que deveria estar aberta para receber passa a se fechar para
segurar. A bênção vira amarra.
Então o Senhor, com ternura, nos chama a um
descanso mais profundo: desfrute dos meus presentes, mas não se agarre a eles
como se fossem essenciais. Eles são bons, mas não são o seu alicerce. Eles
podem mudar, podem ir e vir. O que você realmente precisa não é a soma das
coisas que possui, nem a estabilidade das circunstâncias; é a presença do Deus
que o possui. É por isso que o evangelho nos lembra que estamos completos em
Cristo (Cl 2.10). Completo não significa “sem dores” ou “sem processos”, mas
“inteiro”, “sustentado”, “seguro” — porque a nossa vida está escondida nEle.
E aqui está a simplicidade poderosa: há uma coisa
que você não pode perder, e é exatamente a coisa de que você mais precisa. O
Senhor com você. A presença de Cristo, pelo seu Espírito, sustentando o fraco,
guardando o tentado, consolando o cansado. Não é pouca coisa; é tudo. Porque se
você tem Cristo, você tem o próprio tesouro.
Que hoje o Senhor solte devagar as suas mãos do
que é passageiro e firme os seus dedos no que é eterno. Que Ele lhe ensine a
agradecer pelas bênçãos sem fazer delas um deus, e a descansar no Doador acima
de todas as dádivas. E que a paz de saber-se envolvido por Ele desça do
pensamento para o coração, como quem volta para casa. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2025
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