Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
quando dizemos “este é o tempo da graça, hoje é o
dia da graça”, não estamos usando apenas uma frase bonita de efeito. Estamos
tocando em algo profundo, que a própria Escritura afirma. Paulo escreve: “Eis
aqui agora o tempo aceitável; eis aqui agora o dia da salvação” (2Co 6.2). Não
é amanhã, não é quando a vida estiver organizada, não é quando você “melhorar”
para Deus. É hoje. Agora. Este momento atravessado de lutas, culpas, medos e
cansaços é precisamente o cenário onde a graça de Deus se manifesta.
Nós vivemos, muitas vezes, como se estivéssemos
sempre adiando a alma. Adiamos o conserto de um pecado que se repete, adiamos a
entrega de uma área da vida que insistimos em controlar, adiamos a
reconciliação com alguém que ferimos ou que nos feriu. E, junto com isso, vamos
empurrando para depois a resposta ao chamado de Deus. Pensamos: “Quando eu
estiver mais firme, vou me aproximar. Quando eu estiver menos sujo, eu oro
mais. Quando eu estiver mais dedicado, eu sirvo”. Mas a linguagem da graça não
é “quando”, é “hoje”.
A Bíblia nos mostra que há uma linha nítida na
história da salvação: houve um tempo de expectativa, promessas e sombras; e há
o tempo em que as promessas se cumpriram em Cristo. Este é o tempo em que
vivemos. O Filho de Deus já veio, já se fez carne, já morreu e ressuscitou, já
abriu um novo e vivo caminho até o Pai (Hb 10.19-20). Não estamos aguardando um
outro Salvador, nem um outro sacrifício, nem um outro evangelho. “Porque pela
graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef
2.8). Este é o tempo em que a porta está aberta, em que a mensagem é clara:
Deus reconciliou consigo o mundo em Cristo.
Dizer “este é o tempo da graça” é afirmar que
Deus não está tratando conosco hoje na base da troca, mas na base do evangelho.
Ele não diz: “Mude primeiro, depois eu te recebo”. Ele diz: “Venha a mim, e em
mim você será transformado”. É claro que a graça não é permissiva, não faz
certo o que é errado, não carimba o pecado com aprovação. Mas ela é poderosa.
Ela entra onde a lei só conseguia apontar o erro. A lei mostra o abismo; a
graça constrói a ponte. A lei denuncia; a graça liberta. A lei diz “maldito todo
aquele…”; o evangelho anuncia “Cristo nos resgatou da maldição, fazendo-se
maldição por nós” (Gl 3.13).
Talvez, ao ouvir “hoje é o dia da graça”, você
pense nas suas muitas recaídas, na oração fria, na Bíblia fechada há dias, na
culpa que parece morar em você. E talvez ache que esse “hoje” não pode incluir
alguém como você. Mas perceba: a graça não é uma recompensa por bons dias; é
socorro para dias maus. Ela não é um prêmio para quem está vencendo; é vida
para quem está morrendo. O dia da graça não é o dia em que você está forte e
produtivo; é hoje, com esse coração fragmentado, com essa fé pequena, com esse
cansaço da alma.
A própria Escritura nos chama com urgência
amorosa: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb
3.7-8). O perigo não é ter fraquezas; o perigo é endurecer o coração diante da
voz que chama. O evangelho vem até nós como um convite: arrependa-se, creia em
Cristo, volte-se para Deus. E esse convite não é abstrato, é pessoal. É para
você que conhece a doutrina, mas esfriou na prática. É para você que se sente
indigno, achando que já estragou tudo. É para você que convive com o pecado como
quem convive com um inquilino incômodo, mas que não tem coragem de confrontar.
Hoje é dia de graça para aquele crente cansado
que acha que Deus desistiu dele. Em Cristo, Deus não trabalha com desistência,
trabalha com perseverança. “Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará
até ao dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6). Hoje é dia de graça para quem precisa
confessar um pecado escondido, que tem roubado a alegria, a liberdade e a
comunhão. A mesma graça que perdoa é a graça que ensina a renunciar à impiedade
(Tt 2.11-12). Hoje é dia de graça para quem nunca se rendeu de fato a Cristo,
viveu anos ouvindo sobre Ele, mas nunca se dobrou diante dEle. O mesmo Cristo
que um dia virá como Juiz, hoje se apresenta como Salvador.
E é importante lembrar: dizer “este é o tempo da
graça” não é dizer que o tempo é infinito. A Bíblia fala também de juízo, de
prestação de contas, de um dia em que a longanimidade de Deus terá se cumprido.
É justamente porque há um juízo futuro que o chamado é tão urgente no presente.
Um dia, “todo joelho se dobrará” diante de Jesus (Fp 2.10). Hoje ainda é o
tempo em que podemos dobrar os joelhos em arrependimento voluntário, em fé, em
rendição alegre. Amanhã pode ser tarde; hoje é dia de correr para os braços
abertos do Pai.
Querido leitor, deixe que essa verdade te
alcance: você não está preso ao rótulo do seu passado, nem condenado a repetir
eternamente os mesmos ciclos. A graça não é um enfeite teológico, é o poder de
Deus em ação. Ela alcança o viciado, o religioso orgulhoso, o moralmente
“certinho” e o moralmente destruído. Ela encontra a viúva, o órfão, o traído, o
que traiu, o que caiu de novo, o que se acha irreparável. E quando essa graça
encontra, ela não apenas consola; ela regenera, transforma, faz novo.
Talvez, hoje, o passo concreto que o Senhor
espera de você seja uma oração que você vem evitando, uma confissão que você
vem adiando, um pedido de perdão que vem empurrando, uma decisão de se render
de fato a Cristo. Não espere sentir-se digno para vir. Venha porque Ele é
digno. Não venha porque você é forte, venha porque Ele é poderoso para salvar.
Que, enquanto você lê, o Espírito Santo grave em
seu coração: este não é apenas mais um dia qualquer no calendário. Este é o
tempo da graça. Hoje é o dia da graça. Hoje é o dia em que você pode, pela fé,
se lançar de novo – ou pela primeira vez – nos braços de Jesus, confiando que
Seu sangue é suficiente, Sua cruz é suficiente, Sua ressurreição é suficiente.
Que o Senhor te dê coragem de dizer “sim” ao Seu
chamado hoje, e que a graça que te chama seja a mesma que te sustenta e te
leve, passo a passo, até o dia em que a fé dará lugar à visão, e o tempo da
graça dará lugar à eternidade com o Deus da graça. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
Nenhum comentário:
Postar um comentário
📝 Política de Comentários – Comunidade Faz Bem Refletir
A Comunidade Faz Bem Refletir existe para fortalecer a fé, consolar corações cansados e apontar para Cristo como centro de tudo.
Por isso, os comentários precisam caminhar na mesma direção.
1. Cristo no centro e respeito em tudo
Comentários devem refletir o espírito do evangelho: respeito, mansidão e amor à verdade.
Não serão aceitos ataques pessoais, ironias agressivas, xingamentos ou qualquer forma de desrespeito.
2. Ambiente de edificação, não de confusão
O objetivo é edificar, não vencer debates.
Discussões doutrinárias são bem-vindas quando feitas com humildade, dentro da fé cristã histórica e da teologia reformada, sem espírito de contenda.
3. Nada de conteúdo impróprio
Não serão permitidos:
discursos de ódio, preconceito ou discriminação;
links ou imagens inadequados;
pirataria, propaganda comercial, correntes ou spam.
4. Cuidado com exposições pessoais
Pedidos de oração e testemunhos são bem-vindos, mas evite expor detalhes íntimos de outras pessoas sem consentimento.
Proteja sempre a honra e a privacidade dos irmãos.
5. Ação da moderação
A administração poderá editar, ocultar ou excluir comentários que contrariem estas orientações.
Perfis que insistirem em atitudes desrespeitosas poderão ser bloqueados, para preservarmos um ambiente seguro e saudável.
Nosso compromisso é simples: manter um espaço onde a Palavra de Deus seja honrada, Cristo seja exaltado e cada comentário realmente… faça bem refletir.