quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Série: A Fé dos Patriarcas Bíblicos - Parte 1

Parte 1 — A fé de Abraão: crer contra a esperança

A história da fé bíblica encontra em Abraão seu grande paradigma. Não porque ele tenha sido moralmente irrepreensível ou espiritualmente infalível, mas porque foi chamado por Deus a caminhar sustentado exclusivamente pela promessa divina. Abraão surge em Gênesis 12 como um homem comum, vivendo em Ur dos caldeus, quando o Senhor soberanamente o chama para deixar sua terra, sua parentela e sua segurança.

O chamado de Deus vem acompanhado de uma promessa que, humanamente falando, parecia improvável: uma grande descendência, uma terra e uma bênção que alcançaria todas as nações. Abraão não recebe um mapa detalhado, nem garantias visíveis. Recebe apenas a Palavra de Deus — e isso lhe basta.

“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber para onde ia.”
(Hebreus 11:8)

A fé de Abraão é descrita pelo apóstolo Paulo como uma fé que “crê contra a esperança” (Romanos 4:18). Mesmo quando seu corpo já estava amortecido pela idade e o ventre de Sara era estéril, Abraão não se firmou nas circunstâncias, mas na fidelidade daquele que prometeu. Isso não significa ausência de lutas ou momentos de fraqueza — a Escritura é honesta ao relatar seus tropeços —, mas destaca que sua fé repousava no caráter de Deus.

“Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.”
(Gênesis 15:6; Romanos 4:3)

Aqui encontramos uma verdade central da fé reformada: a justificação sempre foi pela fé, não pelas obras. Abraão é justificado antes da circuncisão, antes da Lei, mostrando que a salvação é, desde sempre, pela graça mediante a fé. Sua história nos ensina que crer é confiar em Deus mesmo quando tudo parece contradizer Suas promessas.

✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2025


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