Parte 1 — A
fé de Abraão: crer contra a esperança
A história da fé bíblica encontra em Abraão
seu grande paradigma. Não porque ele tenha sido moralmente irrepreensível ou
espiritualmente infalível, mas porque foi chamado por Deus a caminhar
sustentado exclusivamente pela promessa divina. Abraão surge em Gênesis 12 como
um homem comum, vivendo em Ur dos caldeus, quando o Senhor soberanamente o
chama para deixar sua terra, sua parentela e sua segurança.
O chamado de Deus vem acompanhado de uma
promessa que, humanamente falando, parecia improvável: uma grande descendência,
uma terra e uma bênção que alcançaria todas as nações. Abraão não recebe um
mapa detalhado, nem garantias visíveis. Recebe apenas a Palavra de Deus — e
isso lhe basta.
“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a
fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber para
onde ia.”
(Hebreus 11:8)
A fé de Abraão é descrita pelo apóstolo Paulo
como uma fé que “crê contra a esperança” (Romanos 4:18). Mesmo quando seu corpo
já estava amortecido pela idade e o ventre de Sara era estéril, Abraão não se
firmou nas circunstâncias, mas na fidelidade daquele que prometeu. Isso não
significa ausência de lutas ou momentos de fraqueza — a Escritura é honesta ao
relatar seus tropeços —, mas destaca que sua fé repousava no caráter de Deus.
“Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado
para justiça.”
(Gênesis 15:6; Romanos 4:3)
Aqui encontramos uma verdade central da fé
reformada: a justificação sempre foi pela fé, não pelas obras. Abraão é
justificado antes da circuncisão, antes da Lei, mostrando que a salvação é,
desde sempre, pela graça mediante a fé. Sua história nos ensina que crer é
confiar em Deus mesmo quando tudo parece contradizer Suas promessas.
✍️
Pr. Jorge R. Lisboa ©2025
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