Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
viver pela fé é, muitas vezes, aprender a arte
santa de esperar. Esperar quando a resposta não vem na hora que gostaríamos.
Esperar quando o corpo pede alívio e ele demora. Esperar quando a injustiça
parece falar alto demais. Esperar, inclusive, quando o coração está cansado de
esperar. E é exatamente aí que a graça de Deus se revela não como enfeite de
domingo, mas como pão de cada dia: ela nos sustenta enquanto esperamos o
resgate final de Deus.
A Bíblia não romantiza a espera. Ela chama a
espera pelo nome que ela tem: gemido. Paulo diz que “toda a criação, a um só
tempo, geme e suporta angústias até agora”, e que nós mesmos “gememos em nosso
íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.22-23).
Percebe? O cristão não vive negando a dor, como se fé fosse um botão de
desligar sofrimento. O cristão vive com esperança dentro da dor. Há um “já”
real — já fomos reconciliados, já fomos perdoados, já recebemos o Espírito. Mas
há também um “ainda não” que pesa: ainda carregamos fragilidades, ainda
enfrentamos tentações, ainda choramos perdas, ainda adoecemos, ainda
sepultamos. E é nesse intervalo entre o “já” e o “ainda não” que a graça opera
como sustentação.
Deus não nos chamou para sobreviver na força do
braço. Ele nos chama a descansar no cuidado do Pai. Pedro escreve: “lançando
sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7). O
verbo é bonito: lançar. É como quem deixa cair um peso que não consegue
carregar. A graça nos ensina a fazer isso repetidas vezes, porque a ansiedade
costuma voltar, não é? A gente lança hoje e, amanhã, sem perceber, está com o
mesmo fardo nos ombros. E Deus, paciente, não diz: “de novo?”. Ele diz: “de novo,
sim… traga de novo”. A graça não se cansa de sustentar.
Mas essa espera não é vazia. Ela tem direção. Ela
aponta para um resgate final. A Palavra diz que “a nossa pátria está nos céus,
de onde também aguardamos o Salvador… o qual transformará o nosso corpo de
humilhação” (Fp 3.20-21). Há um dia marcado no calendário de Deus em que o mal
não terá mais voz, a morte não terá mais espaço e o pecado não terá mais
residência em nós. O resgate final é a consumação do que Cristo já comprou na
cruz. É como se o Senhor nos dissesse: “Eu já assinei o seu livramento com o meu
sangue; agora, caminhe comigo até o dia em que você verá com seus próprios
olhos”.
Enquanto esse dia não chega, a graça nos sustenta
de modos muito concretos. Sustenta quando a gente não consegue orar direito e
só consegue suspirar — e o Espírito intercede por nós “com gemidos
inexprimíveis” (Rm 8.26). Sustenta quando a gente se sente fraco demais e ouve
o próprio Cristo dizendo: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa
na fraqueza” (2Co 12.9). Sustenta quando os sentimentos oscilam e a Palavra
permanece como rocha. Sustenta, inclusive, quando tudo em nós quer desistir, e
Deus nos mantém de pé com uma fidelidade que não depende da nossa.
Talvez você esteja nessa sala de espera agora.
Você crê, mas está cansado. Você ama ao Senhor, mas está ferido. Você quer
perseverar, mas sente que suas forças estão no fim. Então escute com carinho:
esperar o resgate final não significa ficar parado, olhando o relógio, sem
vida. Significa caminhar com Deus no vale, alimentado pela graça, com os olhos
levantados para a promessa. A graça é Deus dizendo: “Eu estou com você no
caminho, e eu mesmo vou te levar até o fim”. Não é uma energia impessoal; é a
presença do Deus vivo, firme e bondoso.
E quando você tropeçar — porque às vezes a espera
nos faz tropeçar — lembre-se: a sua segurança não está na força da sua mão
segurando Deus, mas na mão de Deus segurando você. Jesus disse: “ninguém as
arrebatará da minha mão” (Jo 10.28). Essa é a música do coração em dias longos:
não estou me sustentando; estou sendo sustentado.
Que o Senhor derrame sobre você, hoje, essa graça
que sustenta. Que Ele te dê coragem para mais um passo, fé para mais uma oração
simples, paciência para mais um dia. E que, no meio da espera, você seja
consolado por esta certeza: o resgate final está vindo, e Ele tem nome — Jesus
Cristo. Até lá, a graça não te deixará cair. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026
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