Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã, quando a gente diz
com a boca — e tenta dizer com o coração — “Hosana ao Rei nas alturas”, é como
se a alma estivesse abrindo a janela de dentro e deixando o céu entrar. Há dias
em que a vida parece baixa, pesada, apertada demais. E, justamente nesses dias,
a Igreja aprende a olhar para cima não como quem foge da realidade, mas como
quem se lembra de Quem governa a realidade.
A expressão “Hosana” aparece naquele momento em
que Jesus entra em Jerusalém e o povo clama: “Hosana ao Filho de Davi!” (Mt
21.9). É bonito, mas é também profundo. “Hosana” não é apenas um grito de
festa; é um pedido de socorro. Vem do clamor de Salmo 118: “Salva-nos, Senhor!”
(Sl 118.25-26). Percebe? O povo está cantando e, ao mesmo tempo, suplicando. É
louvor com lágrimas no canto da voz. É alegria com urgência. É adoração que
confessa: “Nós precisamos que o Senhor intervenha”.
E então vem a frase: “ao Rei nas alturas”. Aqui
existe uma tensão preciosa. O Rei está “nas alturas” — soberano, exaltado,
acima de tudo. Mas, naquele dia, Ele vem “por baixo”, manso, montado num
jumentinho, não num cavalo de guerra. A realeza de Jesus não se parece com a
nossa sede de espetáculo. Ele reina de um jeito que confronta nossa lógica: Ele
vence perdendo, Ele triunfa servindo, Ele salva se entregando. A multidão
queria libertação; Jesus veio trazer salvação. Eles esperavam uma coroa
imediata; Ele caminhava para a cruz. E é exatamente aí que o “Hosana” fica mais
verdadeiro: o nosso socorro não viria de um golpe de força, mas de um ato de
graça.
Quantas vezes, na prática, nós também cantamos
“Hosana” querendo que Deus apenas resolva o que nos aperta agora, do jeito que
a gente acha melhor? “Senhor, salva!” — e, no fundo, queremos dizer: “Senhor,
salva do meu modo, no meu tempo, com os meus critérios.” Mas o Rei nas alturas
não é um assistente das nossas urgências; Ele é o Senhor que governa até as
nossas urgências. Ele não entra em Jerusalém para cumprir a agenda da multidão;
Ele entra para cumprir a vontade do Pai e as Escrituras, levando adiante um
plano de salvação que não começou em nós, mas no coração eterno de Deus.
“Hosana ao Rei nas alturas” é, então, um convite
a uma fé que se rende. Porque se Ele é Rei, eu não sou. Se Ele está nas
alturas, meu coração não precisa ficar no controle. E isso traz um descanso
santo: o mesmo Cristo que se deixa aclamar com ramos é o Cristo que se entrega
no madeiro; o mesmo que ouve “Hosana” é o que carregará o silêncio do abandono;
o mesmo que entra sob cantos é o que sai sob vergonha — para que pecadores como
nós entrem na presença do Pai sob graça e adoção. No evangelho, o Rei não apenas
recebe louvor: Ele compra adoradores com o próprio sangue.
Talvez hoje o seu “Hosana” esteja rouco. Talvez
você não tenha ramos nas mãos, apenas peso nos ombros. Ainda assim, esse é um
bom lugar para estar: aos pés do Rei. Diga a Ele, com sinceridade: “Salva-me,
Senhor”. E, ao mesmo tempo, confesse com esperança: “Tu és Rei”. Porque quem
está nas alturas não está distante; Ele desceu até nós em Cristo, e agora reina
para cuidar do seu povo com mãos firmes e coração cheio de graça.
Que o Senhor transforme o nosso “Hosana” em mais
do que uma emoção de momento. Que seja uma rendição diária. Que, ao adorarmos,
a gente peça socorro sem impor condições, e celebre a realeza de Jesus mesmo
quando o caminho passa pela cruz. E que o Espírito Santo nos faça enxergar, no
meio das alturas e dos vales, que o Rei é bom, que o Rei é suficiente, e que o
Rei salva de verdade. Hosana — salva-nos, Senhor — e reina em nós, hoje e
sempre. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026
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