Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
há encontros na vida que permitem distância. Você
pode ouvir, concordar em parte, discordar em parte, seguir em frente e pronto.
Mas com Cristo não é assim. Jesus não é um tema neutro, uma ideia que a gente
coloca na prateleira e visita quando convém. Ele é o Rei. E diante do Rei não
existe “meio termo”: ou nós adoramos, ou nós resistimos. Ou nos rendemos, ou
endurecemos. Ou o abraçamos como Salvador e Senhor, ou tentamos empurrá-lo para
fora do trono do coração.
Percebe como os Evangelhos mostram isso o tempo
todo? Alguns se aproximam de Jesus e se quebram, como o leproso que diz: “Se
quiseres, podes purificar-me” (Mc 1.40). Outros se aproximam e se armam, como
os fariseus que, vendo a luz, preferem defender as sombras. A mesma presença de
Cristo que cura uns, confronta outros. Não porque Jesus muda, mas porque o
coração humano revela o que ama quando a Verdade entra na sala. “A luz veio ao
mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz” (Jo 3.19). Diante da
Luz, ninguém fica apenas “observando”. A Luz nos chama para perto — e, se não
vamos, é porque estamos escolhendo a escuridão.
Muita gente tenta construir uma terceira opção:
“Eu não sou contra Jesus, só não quero me comprometer.” Mas o próprio Cristo
desfaz essa ilusão com clareza: “Quem não é por mim é contra mim” (Mt 12.30).
Não é porque Ele seja inseguro e precise de aprovação. É porque Ele é Deus
encarnado. E Deus não cabe no canto da nossa agenda. Cristo não aceita ser “um
item” entre outros, “uma ajuda” quando aperta, “um consolo” quando dói. Ele não
veio para ser consultor; veio para ser Senhor. Ou Ele governa, ou nós tentamos
governar. E essa tentativa de manter o trono para nós mesmos é, no fundo,
resistência.
E aqui está o ponto que muitas vezes nos pega:
resistir a Cristo nem sempre parece hostilidade aberta. Às vezes é só
adiamento. Às vezes é uma fé de palavras, sem obediência. É quando eu digo
“Senhor, Senhor”, mas não faço o que Ele manda (Lc 6.46). Às vezes é uma
religiosidade que mantém a aparência, mas não se rende de fato. Porque a
rendição é sempre concreta: mexe com pecados preferidos, com planos pessoais,
com prioridades, com amores secretos. Dizer “Jesus é Salvador” é doce para
muitos; dizer “Jesus é Senhor” é o lugar onde a batalha começa.
E por que é tão sério? Porque, diante de Cristo,
o coração não fica parado. Ele se move para um lado. Ou se amolece, ou se
endurece. Toda vez que ouvimos a Palavra e a empurramos para amanhã, o “não”
fica mais fácil. Toda vez que o Espírito nos chama e nós abafamos a voz, o
coração vai criando calos. A Bíblia adverte com ternura e urgência: “Hoje, se
ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb 3.15). O perigo do
endurecimento não é que ele comece como pedra; ele começa como desculpa, como
negociação, como “depois eu vejo isso”.
Mas, graças a Deus, há outro caminho — e ele é
vida. Renders-se a Cristo não é perder liberdade; é finalmente encontrá-la. É
trocar o peso de ser o próprio deus pela alegria de ser cuidado pelo verdadeiro
Deus. É parar de brigar pelo controle e descansar na soberania do Pai. É dizer:
“Não sou eu no trono. Cristo é.” E, sim, isso dói no orgulho. Mas cura a alma.
Porque o trono do coração é um lugar perigoso para um pecador como nós. Nós não
fomos feitos para governar a nós mesmos; fomos feitos para adorar.
Talvez você esteja pensando: “Mas eu tenho medo
do que Jesus vai pedir.” Entendo. Só que aqui está o evangelho: Aquele que pede
tudo é o mesmo que deu tudo. O mesmo Cristo que exige rendição é o Cristo que
se rendeu por nós na cruz, que tomou sobre si nossa culpa, que venceu a morte e
oferece perdão real e nova vida. Ele não toma o trono para nos diminuir; Ele
toma o trono para nos salvar. “Vinde a mim… e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).
Quem se rende a Jesus se rende a um Rei manso e humilde, que governa com graça
e verdade.
Então, querido leitor, onde você está hoje diante
de Cristo? Não apenas no discurso, mas no centro do coração. Você o mantém como
um convidado educado, ou o recebe como Senhor da casa? Você o abraça como
Salvador e Rei, ou o mantém do lado de fora para preservar seus próprios
reinos? A pergunta não é se você “tem opinião” sobre Jesus. A pergunta é: quem
está no trono?
Que o Espírito Santo nos conceda a graça de não
resistir, de não endurecer, de não adiar. Que hoje seja “hoje”. Que Cristo seja
amado, adorado e obedecido — não por medo, mas por fé. E que, rendidos a Ele,
descubramos a doce realidade do evangelho: o trono que nos salvou é o mesmo
trono diante do qual vale a pena cair de joelhos, e dizer com alegria: “Jesus
Cristo é Senhor” (Fp 2.11). Amém.
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