quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Por que eu amo a Jesus Cristo?

Bem-vindos! 🖐️

Querido irmão, querida irmã,

essa pergunta não se responde com pressa, nem com fórmulas prontas. Ela não pede defesa intelectual, nem argumentos bem organizados. Ela pede verdade. Por isso, o que segue não é uma tese bem-acabada, mas um manuscrito da alma, escrito com letras tremidas, porém sinceras. Caminhemos juntos.

Por que eu amo a Jesus Cristo?

A resposta começa onde o meu coração não começou. Eu não O amei primeiro. Antes da minha fé ainda frágil, antes das minhas tentativas mal-sucedidas de obedecer, antes das promessas que fiz e não cumpri, houve um amor que se adiantou a mim. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). O amor a Cristo não nasce da minha iniciativa, nem do meu desempenho espiritual. Ele nasce da graça. Eu não O amo porque Ele é útil aos meus projetos. Eu O amo porque Ele permanece fiel, inclusive quando eu falho. E aqui o coração precisa se olhar no espelho, sem maquiagem religiosa, e perguntar com honestidade: meu amor é resposta ao evangelho… ou tentativa de barganha com Deus?

Eu amo a Cristo porque Ele me conhece — e não vai embora. Ser amado sem ser conhecido é raso. Ser conhecido sem ser amado é aterrador. Em Jesus acontece o que parecia impossível: Ele me conhece por inteiro e, ainda assim, permanece. Ele vê as zonas que escondo, as incoerências que me cansam, as quedas que me envergonham. Nada disso O surpreende. E, mesmo assim, Sua voz não diz “afasta-te”, mas “segue-me” (Jo 1.43). Houve momentos na minha história em que eu mesmo teria desistido de mim. Ele não desistiu. Ele ficou.

Eu amo a Cristo porque Ele não me salvou de longe. Ele não enviou conselhos do céu, nem mandou instruções frias à distância. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Ele entrou na poeira da história, assumiu o peso do corpo, experimentou a aspereza da cruz. Seu amor não é teórico, nem abstrato, nem seguro. É encarnado, ferido, doado. Eu O amo porque Ele entrou exatamente no lugar onde eu estava preso e abriu uma saída que eu jamais conseguiria cavar sozinho. Que tipo de amor aceita sofrer para que o outro viva? “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

Eu amo a Cristo porque n’Ele descubro quem eu sou. Segui-Lo não apaga minha identidade; revela. Em Cristo eu não sou reduzido aos meus pecados, nem definido pelos meus títulos, nem esgotado pelas minhas funções. Sou alguém visto, chamado e restaurado. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co 5.17). Caminhar com Jesus não me desumaniza; ao contrário, me devolve humanidade. Com Ele, vou me tornando mais verdadeiro, mais inteiro, mais eu — não o eu idealizado, mas o eu redimido pela graça.

E eu amo a Cristo porque Ele é digno, mesmo quando não entendo tudo. O amor maduro não depende de explicações completas; depende de confiança. Há dores que não sei explicar, silêncios que não compreendo, caminhos que eu não escolheria. Ainda assim, Cristo não perde Sua dignidade. Meu amor é provado exatamente aqui: quando Ele não age como eu esperava, mas continua sendo quem sempre foi. Como Pedro, às vezes só me resta dizer: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.68).

Talvez, no fundo, a resposta seja simples — e profunda demais para caber em fórmulas. Eu amo a Cristo porque n’Ele encontrei um amor que me atravessou e não me largou mais. E a pergunta retorna, não como cobrança, mas como convite: meu amor por Cristo nasce da gratidão, do medo… ou do encontro?

Porque amar a Cristo não é um ponto de chegada. É um caminho. E, quanto mais se caminha com Ele, mais fundo esse amor vai descendo, até alcançar as partes da alma que nem sabíamos que existiam. Que o Espírito Santo conduza também o seu coração por esse caminho, com verdade, humildade e esperança.

✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026 

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