Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
essa pergunta não se responde com pressa, nem com
fórmulas prontas. Ela não pede defesa intelectual, nem argumentos bem
organizados. Ela pede verdade. Por isso, o que segue não é uma tese
bem-acabada, mas um manuscrito da alma, escrito com letras tremidas, porém
sinceras. Caminhemos juntos.
Por que eu amo a Jesus Cristo?
A resposta começa onde o meu coração não começou.
Eu não O amei primeiro. Antes da minha fé ainda frágil, antes das minhas
tentativas mal-sucedidas de obedecer, antes das promessas que fiz e não cumpri,
houve um amor que se adiantou a mim. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”
(1Jo 4.19). O amor a Cristo não nasce da minha iniciativa, nem do meu
desempenho espiritual. Ele nasce da graça. Eu não O amo porque Ele é útil aos
meus projetos. Eu O amo porque Ele permanece fiel, inclusive quando eu falho. E
aqui o coração precisa se olhar no espelho, sem maquiagem religiosa, e
perguntar com honestidade: meu amor é resposta ao evangelho… ou tentativa de
barganha com Deus?
Eu amo a Cristo porque Ele me conhece — e não vai
embora. Ser amado sem ser conhecido é raso. Ser conhecido sem ser amado é
aterrador. Em Jesus acontece o que parecia impossível: Ele me conhece por
inteiro e, ainda assim, permanece. Ele vê as zonas que escondo, as incoerências
que me cansam, as quedas que me envergonham. Nada disso O surpreende. E, mesmo
assim, Sua voz não diz “afasta-te”, mas “segue-me” (Jo 1.43). Houve momentos na
minha história em que eu mesmo teria desistido de mim. Ele não desistiu. Ele
ficou.
Eu amo a Cristo porque Ele não me salvou de
longe. Ele não enviou conselhos do céu, nem mandou instruções frias à
distância. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Ele entrou na
poeira da história, assumiu o peso do corpo, experimentou a aspereza da cruz.
Seu amor não é teórico, nem abstrato, nem seguro. É encarnado, ferido, doado.
Eu O amo porque Ele entrou exatamente no lugar onde eu estava preso e abriu uma
saída que eu jamais conseguiria cavar sozinho. Que tipo de amor aceita sofrer para
que o outro viva? “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de
ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Eu amo a Cristo porque n’Ele descubro quem eu
sou. Segui-Lo não apaga minha identidade; revela. Em Cristo eu não sou reduzido
aos meus pecados, nem definido pelos meus títulos, nem esgotado pelas minhas
funções. Sou alguém visto, chamado e restaurado. “Se alguém está em Cristo, é
nova criatura” (2Co 5.17). Caminhar com Jesus não me desumaniza; ao contrário,
me devolve humanidade. Com Ele, vou me tornando mais verdadeiro, mais inteiro,
mais eu — não o eu idealizado, mas o eu redimido pela graça.
E eu amo a Cristo porque Ele é digno, mesmo
quando não entendo tudo. O amor maduro não depende de explicações completas;
depende de confiança. Há dores que não sei explicar, silêncios que não
compreendo, caminhos que eu não escolheria. Ainda assim, Cristo não perde Sua
dignidade. Meu amor é provado exatamente aqui: quando Ele não age como eu
esperava, mas continua sendo quem sempre foi. Como Pedro, às vezes só me resta
dizer: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo
6.68).
Talvez, no fundo, a resposta seja simples — e
profunda demais para caber em fórmulas. Eu amo a Cristo porque n’Ele encontrei
um amor que me atravessou e não me largou mais. E a pergunta retorna, não como
cobrança, mas como convite: meu amor por Cristo nasce da gratidão, do medo… ou
do encontro?
Porque amar a Cristo não é um ponto de chegada. É
um caminho. E, quanto mais se caminha com Ele, mais fundo esse amor vai
descendo, até alcançar as partes da alma que nem sabíamos que existiam. Que o
Espírito Santo conduza também o seu coração por esse caminho, com verdade,
humildade e esperança.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário
📝 Política de Comentários – Comunidade Faz Bem Refletir
A Comunidade Faz Bem Refletir existe para fortalecer a fé, consolar corações cansados e apontar para Cristo como centro de tudo.
Por isso, os comentários precisam caminhar na mesma direção.
1. Cristo no centro e respeito em tudo
Comentários devem refletir o espírito do evangelho: respeito, mansidão e amor à verdade.
Não serão aceitos ataques pessoais, ironias agressivas, xingamentos ou qualquer forma de desrespeito.
2. Ambiente de edificação, não de confusão
O objetivo é edificar, não vencer debates.
Discussões doutrinárias são bem-vindas quando feitas com humildade, dentro da fé cristã histórica e da teologia reformada, sem espírito de contenda.
3. Nada de conteúdo impróprio
Não serão permitidos:
discursos de ódio, preconceito ou discriminação;
links ou imagens inadequados;
pirataria, propaganda comercial, correntes ou spam.
4. Cuidado com exposições pessoais
Pedidos de oração e testemunhos são bem-vindos, mas evite expor detalhes íntimos de outras pessoas sem consentimento.
Proteja sempre a honra e a privacidade dos irmãos.
5. Ação da moderação
A administração poderá editar, ocultar ou excluir comentários que contrariem estas orientações.
Perfis que insistirem em atitudes desrespeitosas poderão ser bloqueados, para preservarmos um ambiente seguro e saudável.
Nosso compromisso é simples: manter um espaço onde a Palavra de Deus seja honrada, Cristo seja exaltado e cada comentário realmente… faça bem refletir.