segunda-feira, 2 de março de 2026

Estou no Caminho ao Lar da Glória

Bem-vindos! 🖐️

“Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne me dá fruto no trabalho, então não sei o que escolher. De ambos os lados estou constrangido: tenho o desejo de partir e estar com Cristo, o que é muito melhor.” (Filipenses 1:21–23)

Existe uma percepção que amadurece com os anos: a de que não somos daqui. Não é tristeza, nem resignação amarga — é clareza espiritual. É a consciência de peregrino. É a mesma convicção que habitava em Abraão, que aguardava “a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor” (Hebreus 11:10). Sabemos que esta vida é bela, cheia de dádivas e memórias, mas não é o destino final.

Estamos no caminho. Um caminho marcado por graça, aprendizado, encontros, perdas que nos moldaram e alegrias que nos sustentaram. No entanto, essa estrada tem um destino certo: o Lar da Glória, a casa do Pai, onde Cristo prometeu preparar lugar para os Seus.

Na noite antes da cruz, Jesus disse aos discípulos: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... Vou preparar lugar para vocês” (João 14:2). Não se trata de uma promessa vaga ou poética. É uma realidade fundamentada na obra redentora de Cristo. Ele foi à cruz, venceu o pecado, derrotou a morte e, ressuscitado, ascendeu à direita do Pai. O mesmo Senhor que transformou água em vinho, multiplicou pães e ressuscitou Lázaro é Aquele que nos garante um lugar eterno com Ele.

Nossa esperança não está em imaginações sobre o céu, mas na pessoa de Cristo. O céu é céu porque Ele está lá. Paulo entendeu isso quando escreveu que partir e estar com Cristo é “muito melhor”. O lucro da morte não está na fuga do sofrimento, mas na comunhão plena com o Salvador.

Há uma tentação sutil de olhar para os anos finais da vida como declínio ou perda. Mas a Escritura nos ensina que cada dia nesta jornada é um dom. Paulo escreveu essas palavras da prisão, não de um cenário confortável. Mesmo assim, sua perspectiva era clara: enquanto viver, viveria para Cristo; e ao morrer, estaria com Cristo. Em ambas as situações, Cristo era o centro.

Essa é a segurança do crente. Não caminhamos para o desconhecido. Caminhamos para Alguém. A morte, para quem está unido a Cristo, não é abandono — é encontro. Não é solidão — é recepção. O mesmo Senhor que prometeu “não vos deixarei órfãos” será o primeiro rosto familiar no novo mundo.

A Escritura descreve Enoque de maneira simples e profunda: “Enoque andou com Deus” (Gênesis 5:24). Não há relatos de feitos extraordinários. Apenas fidelidade constante. Ele andou com Deus até o dia em que Deus o tomou para Si. Que imagem consoladora: o fim da jornada não é queda no vazio, mas a continuidade de um caminhar que apenas atravessa a porta da eternidade.

Um dos maiores medos humanos é partir sozinho. Contudo, o crente carrega uma promessa diferente. O Salmo 23 afirma que bondade e misericórdia nos seguirão todos os dias da vida — e habitaremos na casa do Senhor para sempre. Não é desamparo; é escolta divina. Não é fim abrupto; é chegada ao lar.

“Sei em quem tenho crido”, declarou Paulo, “e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2 Timóteo 1:12). A segurança não está na força da nossa fé, mas na fidelidade daquele em quem cremos. Perseveramos porque Cristo nos preserva. Chegaremos ao fim porque Ele já garantiu o caminho.

Enquanto estamos aqui, vivemos para Sua glória. Cada oração, cada gesto de amor, cada palavra de encorajamento faz parte da jornada. E quando chegar o momento da grande travessia, partiremos em paz — não porque somos fortes, mas porque fomos redimidos.

“Bem-aventurados os que morrem no Senhor” (Apocalipse 14:13). A bem-aventurança não está na morte em si, mas na união com Cristo. É essa união que transforma despedida em esperança e fim em início.

Estamos no caminho ao Lar da Glória. E cada passo é sustentado pela graça.

✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026

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