Bem-vindos! 🖐️
“Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é
lucro. Mas, se o viver na carne me dá fruto no trabalho, então não sei o que
escolher. De ambos os lados estou constrangido: tenho o desejo de partir e
estar com Cristo, o que é muito melhor.” (Filipenses 1:21–23)
Existe uma percepção que amadurece com os
anos: a de que não somos daqui. Não é tristeza, nem resignação amarga — é
clareza espiritual. É a consciência de peregrino. É a mesma convicção que
habitava em Abraão, que aguardava “a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é
o arquiteto e construtor” (Hebreus 11:10). Sabemos que esta vida é bela, cheia
de dádivas e memórias, mas não é o destino final.
Estamos no caminho. Um caminho marcado por
graça, aprendizado, encontros, perdas que nos moldaram e alegrias que nos
sustentaram. No entanto, essa estrada tem um destino certo: o Lar da Glória, a
casa do Pai, onde Cristo prometeu preparar lugar para os Seus.
Na noite antes da cruz, Jesus disse aos
discípulos: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... Vou preparar lugar para
vocês” (João 14:2). Não se trata de uma promessa vaga ou poética. É uma
realidade fundamentada na obra redentora de Cristo. Ele foi à cruz, venceu o
pecado, derrotou a morte e, ressuscitado, ascendeu à direita do Pai. O mesmo
Senhor que transformou água em vinho, multiplicou pães e ressuscitou Lázaro é
Aquele que nos garante um lugar eterno com Ele.
Nossa esperança não está em imaginações sobre
o céu, mas na pessoa de Cristo. O céu é céu porque Ele está lá. Paulo entendeu
isso quando escreveu que partir e estar com Cristo é “muito melhor”. O lucro da
morte não está na fuga do sofrimento, mas na comunhão plena com o Salvador.
Há uma tentação sutil de olhar para os anos
finais da vida como declínio ou perda. Mas a Escritura nos ensina que cada dia
nesta jornada é um dom. Paulo escreveu essas palavras da prisão, não de um
cenário confortável. Mesmo assim, sua perspectiva era clara: enquanto viver,
viveria para Cristo; e ao morrer, estaria com Cristo. Em ambas as situações,
Cristo era o centro.
Essa é a segurança do crente. Não caminhamos
para o desconhecido. Caminhamos para Alguém. A morte, para quem está unido a
Cristo, não é abandono — é encontro. Não é solidão — é recepção. O mesmo Senhor
que prometeu “não vos deixarei órfãos” será o primeiro rosto familiar no novo
mundo.
A Escritura descreve Enoque de maneira simples
e profunda: “Enoque andou com Deus” (Gênesis 5:24). Não há relatos de feitos
extraordinários. Apenas fidelidade constante. Ele andou com Deus até o dia em
que Deus o tomou para Si. Que imagem consoladora: o fim da jornada não é queda
no vazio, mas a continuidade de um caminhar que apenas atravessa a porta da
eternidade.
Um dos maiores medos humanos é partir sozinho.
Contudo, o crente carrega uma promessa diferente. O Salmo 23 afirma que bondade
e misericórdia nos seguirão todos os dias da vida — e habitaremos na casa do
Senhor para sempre. Não é desamparo; é escolta divina. Não é fim abrupto; é
chegada ao lar.
“Sei em quem tenho crido”, declarou Paulo, “e
estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2
Timóteo 1:12). A segurança não está na força da nossa fé, mas na fidelidade
daquele em quem cremos. Perseveramos porque Cristo nos preserva. Chegaremos ao
fim porque Ele já garantiu o caminho.
Enquanto estamos aqui, vivemos para Sua
glória. Cada oração, cada gesto de amor, cada palavra de encorajamento faz
parte da jornada. E quando chegar o momento da grande travessia, partiremos em
paz — não porque somos fortes, mas porque fomos redimidos.
“Bem-aventurados os que morrem no Senhor”
(Apocalipse 14:13). A bem-aventurança não está na morte em si, mas na união com
Cristo. É essa união que transforma despedida em esperança e fim em início.
Estamos no caminho ao Lar da Glória. E cada
passo é sustentado pela graça.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026
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