Bem-vindos! 🖐️
Graça e paz, meus queridos e amados irmãos no
Senhor!
Há um cântico antigo, um ressoar maravilhoso da
igreja apostólica que o apóstolo Paulo fez questão de registrar sob a
inspiração do Espírito na sua carta aos Efésios, capítulo 5, versículo 14:
*"Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos,
e Cristo te esclarecerá."*
Este é um texto que arde no meu peito pastoral.
Constantemente, vejo no rebanho do Senhor — e até sondando o meu próprio
coração, confesso a vocês — uma inclinação assustadora para a sonolência
espiritual. A nossa carne adora o conforto morno do "dormir". Mas
prestem muita atenção, meus irmãos: o sono de que Paulo fala aqui não é o
descanso justo do trabalhador que deita a cabeça no travesseiro confiando na
providência soberana de Deus. Não! É a dormência da letargia. É a apatia
enganosa diante do pecado. É correr o risco de estar sentado nos bancos da
igreja aos domingos, mas com a mente já anestesiada e o coração capturado pelas
fábulas e seduções deste século tenebroso.
Vamos meditar na profundidade destas três
divisões que o texto nos apresenta:
1. "Desperta, ó tu que dormes!"
Este é o brado de Deus para nós. É um imperativo
ardente, não uma mera sugestão. O Senhor não nos pede para abrir os olhos
somente quando acharmos conveniente; Ele nos sacode com a urgência da Sua
Palavra! E, alicerçados na nossa herança teológica reformada, sabemos muito bem
como isso funciona: o próprio Deus que nos ordena a despertar é Aquele que,
pelo Seu Espírito Santo, vivifica a nossa vontade para que possamos abrir os
olhos. A pregação fiel do Evangelho e a leitura diária da Bíblia são o "despertador"
que o Espírito usa para invadir os quartos escuros da nossa alma acomodada,
quebrando o feitiço do mundanismo.
2. "Levanta-te dentre os mortos"
A exortação toma um tom ainda mais agudo.
Entregar-se à sonolência espiritual é flertar perigosamente com o cemitério.
Paulo está dizendo aos cristãos, a homens e mulheres que já foram regenerados e
justificados pelo precioso sangue do Cordeiro: *"Vocês não pertencem mais
às sepulturas! Vocês outrora estavam mortos, mas Deus os vivificou (Ef 2:1)! O
que fazem ainda prostrados no meio dos mortos?"*
Este é o apelo contínuo à nossa santificação. É
um chamado para abandonar as velhas companhias do pecado, o egoísmo silencioso,
a pureza negligenciada, o rancor guardado, a fofoca e a mornidão na oração.
Deixem os mortos com as suas mortalhas, meus filhos; vistam-se das armaduras da
luz!
3. "E Cristo te esclarecerá"
Finalmente, chegamos ao clímax majestoso da graça
de Deus neste texto. O Senhor nunca nos dá uma ordem impossível de cumprir sem,
ao mesmo tempo, prover o suprimento abundante na pessoa do Seu Filho. O
versículo não diz: *"Desperte, levante-se e crie a sua própria luz"*.
Não teríamos como! A nossa velha natureza só produz trevas e névoa. O texto nos
entrega uma promessa de inércia quebrada pelo amor e pela soberania divina:
**Cristo resplandecerá sobre ti!**
É Ele, o bendito Sol da Justiça, que dissipa as
trevas da nossa letargia. É a luz de Cristo que nos traz verdadeiro
esclarecimento diante das Escrituras e discernimento para a vida prática.
Quando, arrependidos, damos aquele passo de nos levantarmos da cama da
acomodação espiritual, não nos deparamos com um Deus de cenho franzido, pronto
para nos fulminar, mas com a face gloriosa a deslumbrante de Jesus Cristo a nos
guiar, perdoar e aquecer o nosso coração frio.
---
Portanto, meus queridos irmãos, chega de cochilar
e piscar de sono na trincheira! O Inimigo de nossas almas não dorme, e lá fora
as trevas estão densas e agressivas.
Corram hoje mesmo para os meios de graça: abram
as vossas Bíblias com fome, dobrem os vossos joelhos com fervor genuíno no
quarto, e clamem com ousadia para que a luz de Cristo esclareça e purifique
cada canto intocável da vida de vocês.
Que o Todo-Poderoso nos desperte a todos,
preservando a vitalidade da Sua Igreja, para a glória exclusiva do Seu Santo
Nome.
No amor firme, paciente e zeloso de Cristo,
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026
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