Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
existe uma
verdade que, à primeira vista, pode parecer simples… mas, quando a gente olha
com mais cuidado, percebe o quanto ela toca profundamente o nosso coração:
“Mesmo
quando você falha, Deus continua no controle — mas você ainda é responsável por
como responde a Ele.” (Mateus 26:14–25)
Agora, deixa eu te fazer uma pergunta — e
responde com sinceridade:
é possível estar perto de Jesus… e ainda assim
traí-lo?
Intuitivamente,
a gente diz que não. Parece contraditório. Afinal, quem anda com Jesus está
seguro… quem participa da mesa está firme… quem chama Ele de “Senhor” não
chegaria a esse ponto.
Mas então o texto nos leva para um lugar
desconfortável.
Porque, em Mateus 26, a traição não vem de
fora.
Ela nasce dentro.
Consegue enxergar isso?
Não é um
inimigo distante. Não é alguém que nunca teve contato com Cristo. É alguém que
caminhou com Ele… ouviu suas palavras… viu seus milagres… sentou à mesa com
Ele.
E, ainda assim… traiu.
E aqui o texto começa a nos confrontar de
verdade.
Porque, nesse momento, a pergunta deixa de
ser: “Como Judas fez isso?”
E passa a ser: “O que isso revela sobre mim?”
Vamos caminhar com calma.
O texto começa dizendo: “Então, um dos Doze…”.
Antes de mencionar o nome, a Escritura destaca
a posição.
Um dos Doze.
Alguém do círculo mais íntimo.
Isso torna tudo mais pesado.
Porque a traição não começa com distância —
começa com proximidade.
Judas não é
pressionado. Ele não é forçado. Ele toma a iniciativa. Ele vai até os
principais sacerdotes. Ele pergunta quanto receberá. Ele aceita o valor. E, a
partir dali, começa a procurar uma oportunidade.
Olha o movimento…
Isso não é um momento isolado.
É um processo.
Judas não tropeça na traição… ele caminha até
ela.
E talvez seja isso que mais nos confronta.
Porque ninguém começa negando Jesus de forma
escandalosa.
Tudo começa em pequenas negociações internas.
Pequenas concessões.
Pequenos “ajustes”.
É quando o coração começa a perguntar, ainda
que em silêncio:
“O que eu ganho se não obedecer?”
E isso não aparece apenas em grandes decisões.
Aparece no cotidiano.
Na escolha que ninguém vê.
Na obediência que começa a ser relativizada.
Na fidelidade que começa a ser negociada.
Agora, o texto muda de cena.
E algo importante acontece.
Enquanto Judas age em segredo… Jesus não perde
o controle.
Consegue notar isso?
Os
discípulos perguntam onde preparar a Páscoa — e Jesus responde com precisão.
Nada é improvisado. Nada foge do seu domínio.
E, então, à mesa, Ele diz:
“Um de vocês vai me trair.”
Aquilo que estava escondido… vem à luz.
Mas não como surpresa.
Jesus já sabia.
Mais do que isso: Ele declara que “o seu tempo
está próximo”.
Não é o tempo de Judas.
Não é o tempo das autoridades.
É o tempo de Jesus.
Isso muda a forma como a gente enxerga a vida,
não muda?
Porque,
quando algo foge do nosso controle, tendemos a pensar que Deus também perdeu o
controle.
Mas esse texto mostra o contrário.
Mesmo no momento da traição…
Deus continua governando.
Mesmo nos momentos mais escuros…
nada escapa das mãos de Cristo.
Mas o ponto mais profundo ainda está por vir.
Depois da declaração de Jesus, algo
surpreendente acontece.
Os discípulos começam a perguntar:
“Sou eu, Senhor?”
Isso chama atenção, não chama?
Ninguém aponta o dedo.
Ninguém se defende.
Todos olham para dentro.
E aqui está um dos momentos mais reveladores
do texto.
Porque Judas também pergunta.
Mas há um detalhe sutil.
Os outros dizem “Senhor”.
Judas diz “Rabi”.
Repara nisso…
Parece pequeno… mas revela algo profundo.
Existe proximidade externa… mas distância
interna.
Existe linguagem correta… mas coração
desalinhado.
E então Jesus responde:
“Tu o disseste.”
E, com isso, o texto nos leva ao ponto
central.
O problema não é apenas Judas.
É o coração humano.
É fácil olhar para Judas e pensar: “Eu nunca
faria isso.”
Mas o texto não permite esse tipo de conforto.
Ele nos conduz a uma pergunta mais honesta:
“Existe algo em mim que pode me afastar de
Cristo?”
E talvez essa seja a pergunta mais importante
de todas.
Porque o perigo não está apenas em uma grande
queda visível.
Está em um afastamento silencioso.
É quando a presença continua… mas a rendição
diminui.
É quando a linguagem permanece… mas o coração
se distancia.
É quando estamos perto de Jesus… mas não
verdadeiramente entregues a Ele.
E, no final, o texto nos deixa diante de uma
escolha.
Não entre ser perfeito ou falhar.
Mas entre viver em autoengano… ou viver em
quebrantamento.
Existe uma diferença eterna entre perguntar:
“Sou eu, Senhor?”
com um coração sincero…
ou fazer a mesma pergunta como Judas — apenas
para manter aparência.
Por isso, hoje, a pergunta permanece.
E ela não é superficial.
Você está apenas perto de Jesus…
ou verdadeiramente rendido a Ele?
Pense nisso com honestidade.
E, mais do que pensar…
responda com o coração.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
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