Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
quando olhamos ao redor, não é difícil perceber:
o mundo está cansado. Guerras, injustiças, doenças, corações partidos, famílias
despedaçadas, pecados repetidos como se fossem correntes invisíveis. A criação
geme, e a igreja, no meio disso tudo, também geme. Mas ela geme de um jeito
diferente. Ela geme com esperança. A Bíblia chama isso de “a bem-aventurada
esperança” (Tt 2.13): a feliz, segura, certa esperança da Igreja. Vamos pensar
um pouco nisso juntos?
Paulo escreve a Tito e diz que nós, enquanto
esperamos a bem-aventurada esperança, somos ensinados pela graça a viver no
presente século “sensata, justa e piedosamente” (Tt 2.11-13). Ou seja, nossa
esperança não é fuga da realidade, não é sonho para nos distrair da vida. É
justamente o contrário: é essa esperança que nos põe de pé dentro da vida real,
com seus vales e tempestades. Nós esperamos “a manifestação da glória do nosso
grande Deus e Salvador Cristo Jesus”. A bem-aventurada esperança da Igreja tem nome
e rosto: é Cristo voltando.
Repare como isso muda tudo. Nossa esperança não é
apenas “um lugar melhor”, uma espécie de paraíso genérico. Nossa esperança é
uma Pessoa: o Senhor Jesus, que um dia voltará não mais em humilhação, mas em
glória. O mesmo Jesus que foi à cruz, que ressuscitou, que subiu aos céus, virá
outra vez. A igreja não espera apenas o fim da dor; ela espera o reencontro com
o seu Noivo. É por isso que, no final da Bíblia, a oração é tão simples e tão
profunda: “Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).
Essa bem-aventurada esperança também é certeza de
restauração. Vivemos num mundo que tenta se arrumar, mas nunca consegue.
Consertamos uma coisa, quebram-se outras três. Nossos melhores esforços são
sempre parciais, limitados, marcados por pecado e fraqueza. Mas Deus prometeu
novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça (2Pe 3.13). João ouviu a
voz do trono dizer: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5). Não
“algumas”, não “as mais fáceis”: todas. A igreja caminha sabendo que a história
não termina em ruínas, mas em renovação.
E o que acontecerá com a própria igreja? Aquele
povo frágil, misturado, ainda lutando contra o pecado, ainda tropeçando? A
Palavra diz que Cristo “amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” para
apresentá-la a si mesmo “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante”
(Ef 5.25-27). A bem-aventurada esperança da igreja inclui a sua própria
transformação final. Aquilo que hoje é luta contra o pecado um dia será
descanso em santidade perfeita. Aquilo que hoje é lágrima de arrependimento um
dia será sorriso de gratidão. A obra que Deus começou, Ele mesmo há de
completar em Cristo Jesus (Fp 1.6).
Talvez você olhe para si e pense: “Eu não consigo
me ver nesse dia. Estou fraco demais, frio demais, cheio de dúvidas e
recaídas”. Eu sei. O coração da gente é muito instável. Mas note: a esperança
da igreja não está firmada na força da igreja, e sim na fidelidade do Seu
Senhor. Nós não seremos apresentados irrepreensíveis diante da glória de Deus
porque fomos crentes perfeitos, mas porque temos um Salvador perfeito, que nos
sustenta, perdoa, purifica e guarda (Jd 24-25). A bem-aventurada esperança é, na
verdade, a bem-aventurada fidelidade de Deus cumprindo tudo o que prometeu.
Essa esperança também sustenta a igreja em meio
ao sofrimento. Paulo diz que os sofrimentos do tempo presente não podem ser
comparados com a glória a ser revelada em nós (Rm 8.18). Isso não minimiza a
dor; apenas a coloca numa escala maior. É como se o Espírito nos dissesse:
“Sim, dói. Sim, é pesado. Mas não é tudo. Há uma glória vindo ao seu encontro”.
E essa glória não é um brilho abstrato: é a plena comunhão com o Pai, o Filho e
o Espírito Santo, sem mais pecado, sem mais distância, sem mais medo.
Quando a igreja canta, ora, prega, mesmo em meio
às suas crises, ela está anunciando ao mundo: “Nós sabemos onde essa história
termina”. Por isso, mesmo chorando, ela pode celebrar. Mesmo perseguida, ela
pode perseverar. Mesmo cansada, ela pode continuar caminhando. A bem-aventurada
esperança não é um “talvez”; é uma âncora. Em Hebreus lemos que temos uma
esperança “como âncora da alma, segura e firme” (Hb 6.19). A âncora não impede
o mar de agitar o barco, mas impede o barco de se perder. Assim é a esperança
da igreja.
Meu irmão, minha irmã, talvez você olhe para a
realidade da igreja hoje – escândalos, divisões, superficialidade, frieza – e
sinta seu coração abatido. Lembre-se: Cristo não desistiu da sua noiva. Ele a
está purificando na história, às vezes por caminhos que nos surpreendem, às
vezes por meio de disciplina, sempre com amor perfeito. A igreja que hoje
parece tão frágil e contraditória será, naquele dia, fabricada de beleza e
santidade, refletindo a glória do Cordeiro que a comprou com o próprio sangue
(Ap 5.9).
Que essa bem-aventurada esperança reacenda em
você não uma curiosidade sobre detalhes do futuro, mas uma confiança profunda
no Deus que governa a história. Que, ao lembrar da volta de Cristo, seu coração
seja chamado à santidade hoje, ao serviço hoje, à perseverança hoje. E que, no
meio das dores e incertezas, o Espírito Santo sopre dentro de você esse clamor
simples e poderoso: “Vem, Senhor Jesus”. Até lá, que a igreja caminhe com os
olhos fixos em Cristo, o Autor e Consumador da fé (Hb 12.2), certa de que,
quando Ele se manifestar, veremos com os olhos aquilo que hoje abraçamos pela
fé – e, enfim, nossa esperança se transformará em plena e eterna alegria.
Pr. Jorge R. Lisboa
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