Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
talvez você esteja
lendo estas linhas com o coração cansado. A mente cheia de preocupações, o
peito apertado, e aquela sensação de que falta chão debaixo dos pés. Nessas
horas, certas palavras da Escritura soam como um abrigo em meio à tempestade.
Isaías 12.2 nos oferece uma dessas palavras que abraçam a alma: “Eis que Deus é
a minha salvação; eu confiarei e não temerei, porque o Senhor Jeová é a minha
força e o meu cântico; e se tornou a minha salvação.”
Percebe como o texto
começa? “Eis que Deus é a minha salvação.” Não é “Deus me dá uma salvação”,
como se fosse um presente separado dEle. O próprio Deus é a salvação do Seu
povo. Em última análise, não se trata apenas de escapar do inferno ou de ter
uma vida mais ajeitada; trata-se de ter o próprio Deus como refúgio, como
segurança, como lugar de descanso. A salvação, na perspectiva bíblica, é
relacionamento restaurado: o Deus santo, que nós ofendemos com o nosso pecado,
se torna nosso Deus, nosso Pai, nosso abrigo.
Isaías está falando
a um povo acostumado a guerras, ameaças e incertezas. Humanamente, havia
motivos de sobra para temer. Mas, no meio de tudo isso, ecoa essa confissão de
fé: “eu confiarei e não temerei”. Não porque o cenário é fácil, mas porque o
Senhor é quem Ele é. A fé reformada nos lembra que confiança verdadeira nasce
de conhecer o caráter de Deus: soberano, fiel, imutável, gracioso. Ele não muda
de humor, não volta atrás em suas promessas, não é surpreendido pelos
acontecimentos da história. Quando Isaías diz “eu confiarei e não temerei”, ele
não está dizendo “eu sou forte”; ele está dizendo “meu Deus é digno de
confiança”.
O texto vai além:
“o Senhor Jeová é a minha força e o meu cântico”. Que coisa linda. Não é apenas
que Deus nos dê força; Ele é a nossa força. Em outras palavras, minha
resistência não vem de dentro de mim, mas de fora de mim, de Deus que habita em
mim. É por isso que, mesmo em meio a fraquezas, o apóstolo Paulo pode dizer:
“quando estou fraco então é que sou forte” (2Co 12.10). A força de que Isaías
fala não é ausência de cansaço, mas presença de um Deus que sustenta quando
nossas pernas tremem.
E Ele é também “o
meu cântico”. Isso significa que, em Deus, encontramos não apenas socorro, mas
motivo de alegria. Pode ser que, hoje, você não tenha vontade nenhuma de
cantar. Talvez o coração esteja silencioso, sem palavras, sem melodia. Mas o
texto nos lembra que o cântico do cristão não começa nas circunstâncias; começa
em Deus. É quem Ele é e o que Ele fez que compõem a música da nossa fé. Em
Cristo, essa promessa ganha cor plena: Ele é o Cordeiro que foi morto e vive, a
razão do nosso louvor por toda a eternidade (Ap 5.9-10).
Quando Isaías diz:
“e se tornou a minha salvação”, ele está apontando para uma obra concreta de
Deus na história. Não é apenas uma ideia bonita, é algo que acontece de fato.
Para nós, olhando deste lado da cruz, podemos reconhecer: essa salvação se
revela plenamente em Jesus. Ele é Deus que se fez homem, carregou nossa culpa,
suportou a ira que era nossa, ressuscitou para nos dar vida. Nele, Deus “se
tornou a nossa salvação” de maneira definitiva. Não é à toa que o salmista
declara: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?” (Sl
27.1).
Talvez, enquanto
você lê isso, o medo esteja gritando em alguma área da sua vida: medo do
amanhã, medo de perder alguém, medo de não dar conta, medo de fracassar na fé.
À luz de Isaías 12.2, você pode responder a esse medo não com frases vazias de
autoajuda, mas com essa confissão antiga e sempre nova: “Deus é a minha
salvação; eu confiarei e não temerei”. Não é negar a dor, não é fingir que não
dói; é olhar para além da dor e enxergar um Deus que permanece.
Em Cristo, você
pode aprender a dizer, mesmo com lágrimas: “Senhor, eu sou fraco, mas Tu és a
minha força. Eu estou em silêncio, mas Tu és o meu cântico. Eu sou limitado,
mas Tu és a minha salvação.” E, pouco a pouco, o Espírito Santo vai afinando o
coração, transformando queixa em oração, e oração em louvor.
Que hoje, querido leitor, o Senhor incline o seu coração a
essa confiança mansa e firme. Que você possa repetir, talvez em voz baixa,
talvez apenas em pensamento: “Eis que Deus é a minha salvação; eu confiarei e
não temerei”. Que essa verdade encontre lugar nas suas preocupações mais
práticas, nas noites mal dormidas, nos medos que você não conta para ninguém. E
que, pela graça, seu coração termine o dia com esse cântico simples, mas
profundo: “Tu és, Senhor, a minha força, o meu cântico e a minha salvação.”
Amém.
Pr. Jorge R. Lisboa
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