sábado, 29 de novembro de 2025

“Meu porto, meu tesouro, meu Jesus querido” - Frase de Ernani Maldonado

Bem-vindos! 🖐️

Querido irmão, querida irmã,

há palavras que nascem da teologia bem estudada, e há palavras que brotam de um coração que foi ferido e cuidado por Jesus. “Meu porto, meu tesouro, meu Jesus querido” é desse segundo tipo. É o jeito simples de dizer o que a Bíblia inteira anuncia com tanta força: quando Cristo nos encontra, Ele se torna o lugar onde descansamos, a riqueza que não se perde, o amor que não nos abandona.

Talvez você esteja num tempo de ventos fortes. A vida parece mar aberto: ondas de preocupações, notícias que chegam como tempestade, medos que se agigantam na madrugada. Em momentos assim, a alma procura um porto. E se você olhar ao redor, vai perceber quantos “portos” falsos o mundo oferece: segurança no dinheiro, reconhecimento das pessoas, estabilidade no trabalho, relacionamentos idealizados. Coisas boas, em si, mas frágeis demais para aguentar o peso do nosso coração. Mais cedo ou mais tarde, as marés mudam, e esses portos se mostram rasos demais.

A Bíblia, porém, nos convida a ancorar em outro lugar. O autor de Hebreus fala de uma esperança que temos em Cristo como “âncora da alma, segura e firme” (Hb 6.19). Âncora da alma. Porto seguro. Não é bonito apenas como imagem; é verdade sólida. Em Jesus, Deus nos dá um lugar onde o coração pode atracar, e ali descansar, mesmo que o mar de fora continue agitado. Não é que as ondas parem; é que, ancorados nEle, deixamos de ser jogados de um lado para o outro sem direção.

Quando dizemos: “Meu porto, meu tesouro, meu Jesus querido”, começamos confessando que Ele é nosso porto. Isso significa reconhecer: “Senhor, eu não dou conta de navegar sozinho. Eu preciso de um lugar onde eu possa chegar inteiro, com meus medos, culpas, cansaços, e ser recebido.” E é isso que Jesus faz. Ele mesmo nos convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Não é convite para quem está forte, é chamado para quem já não aguenta o peso da própria bagagem.

Esse porto tem uma marca: é lugar de graça. Na cruz, Cristo abriu o caminho para que pecadores cansados e cheios de falhas pudessem chegar diante de Deus sem serem consumidos. O julgamento que era nosso recaiu sobre Ele. A tempestade da ira justa de Deus caiu sobre o Filho, para que em Cristo tivéssemos abrigo. É por isso que, quando o coração é acusado pelo pecado, podemos correr não para longe, mas para Ele mesmo. O porto não fecha na nossa fraqueza; é justamente nela que somos chamados a chegar.

Mas Jesus é também o nosso tesouro. Em um mundo em que tanta coisa brilha, Ele é a riqueza que permanece quando todos os outros brilhos se apagam. O próprio Senhor contou a parábola do homem que encontra um tesouro escondido num campo e, “cheio de alegria”, vende tudo o que tem para comprar aquele campo (Mt 13.44). O que é isso senão a experiência de quem foi alcançado pelo evangelho? Em Cristo, encontramos algo tão precioso, tão superior, que tudo o mais, comparado a Ele, perde o trono do nosso coração.

O apóstolo Paulo, depois de conhecer Jesus, pôde dizer: “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (Fp 3.7-8). Ele não está dizendo que nada mais tem valor na vida, mas que nada pode ocupar o lugar de Cristo como tesouro supremo. Tudo o mais é dom; Jesus é o Doador. Tudo o mais é provisório; Ele é eterno. Tudo o mais pode ser tirado; Ele permanece.

Talvez você tenha percebido, ao longo da vida, que muitos “tesouros” se desgastam. A saúde, que um dia foi vigorosa, hoje já não responde. O trabalho, que já te deu tanto orgulho, talvez hoje seja fonte de cansaço ou insegurança. Pessoas queridas, que eram quase sinônimo de casa, já partiram. E isso dói, é claro. A fé reformada não faz de nós gente de pedra; reconhece o peso das perdas, as lágrimas dos lutos, o corte fundo das ausências. Mas é precisamente nesse chão real que o Espírito nos ensina a dizer: “Meu tesouro não está limitado às coisas que passam. Meu tesouro é Cristo. Se eu tenho a Ele, tenho o que não pode ser roubado.”

E é aqui que a frase fica ainda mais bonita: “Meu porto, meu tesouro, meu Jesus querido.” Não é apenas o “Jesus” que sabemos definir em confissões de fé (e é importante sabê-las!); é o “meu Jesus querido”, o Cristo que é conhecido e amado, não só estudado. O Deus eterno, santo, soberano, se fez próximo em Jesus. Ele conhece nossas dores não por ouvir falar, mas por tê-las carregado em carne e osso. Chorou, cansou, sentiu na pele a rejeição, provou a solidão. Ele é o Senhor da glória, mas também é o Amigo que não nos abandona.

Chamá-lo de “meu Jesus querido” não diminui sua majestade; revela a beleza da encarnação. O Deus infinito se inclinou para nos amar de perto. Em Cristo, podemos dizer, como Tomé, não apenas “Senhor e Deus”, mas “Senhor meu e Deus meu” (Jo 20.28). Há uma intimidade reverente aqui. Não é um “Jesus íntimo” inventado pela nossa imaginação; é o Jesus das Escrituras, que pela graça se torna nosso Salvador pessoal, nosso Pastor, nosso Amigo fiel.

Talvez, enquanto lê, você se sinta distante desse afeto. Você crê, mas não sente; você sabe, mas parece frio. Não despreze esse incômodo. Ele pode ser o próprio Espírito Santo despertando em você um clamor: “Senhor, eu quero conhecer-Te assim, como meu porto e meu tesouro. Eu quero poder dizer com verdade: meu Jesus querido.” Isso não se constrói com fórmulas, mas com caminho: tempo de Palavra aberta, oração sincera, vida na comunhão da igreja, arrependimento real, passos de obediência pequena e cotidiana.

A fé reformada nos lembra: é Deus quem dá o querer e o realizar (Fp 2.13). Se você deseja amar mais a Cristo, isso já é evidência da graça operando em você. Vá com esse desejo para Ele. Conte a Ele sua frieza, sua distração, seu coração dividido. Ele não rejeita orações honestas. Pelo contrário, o Cristo ressurreto se alegra em reacender o amor daqueles que se esfriaram, em buscar ovelhas cansadas, em firmar pés vacilantes.

Querido leitor, talvez hoje você precise, mais do que de respostas, de um lugar para o coração descansar; de algo que valha mais do que tudo o que o mundo pode oferecer; de alguém a quem você possa chamar, sem medo, de “meu Jesus querido”. Pois em Cristo, tudo isso se encontra junto. Ele é o porto onde a alma cansada pode atracar. Ele é o tesouro que dá sentido a tudo o que temos e somos. Ele é o Senhor, mas também o Salvador que se deixa amar.

Que o Espírito Santo hoje aqueça o seu coração com essa verdade. Que, no meio das tempestades que você enfrenta, você possa dizer, talvez entre lágrimas, talvez num sussurro: “Jesus, Tu és o meu porto. Quando tudo balança, em Ti eu encontro chão.” Que, diante dos falsos brilhos deste mundo, você possa confessar: “Tu és o meu tesouro. Nada se compara a Ti.” E que, ao longo dos dias, numa caminhada de fé que às vezes será firme e às vezes trêmula, você aprenda a chamá-lo, com reverência e afeto: “Meu porto, meu tesouro, meu Jesus querido.”

Que essa seja a canção baixa, mas constante, que acompanha você, até o dia em que a fé se transformar em visão, e veremos, face a face, Aquele que hoje amamos sem ver. Amém.

Pr. Jorge R. Lisboa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

📝 Política de Comentários – Comunidade Faz Bem Refletir

A Comunidade Faz Bem Refletir existe para fortalecer a fé, consolar corações cansados e apontar para Cristo como centro de tudo.
Por isso, os comentários precisam caminhar na mesma direção.

1. Cristo no centro e respeito em tudo

Comentários devem refletir o espírito do evangelho: respeito, mansidão e amor à verdade.

Não serão aceitos ataques pessoais, ironias agressivas, xingamentos ou qualquer forma de desrespeito.

2. Ambiente de edificação, não de confusão

O objetivo é edificar, não vencer debates.

Discussões doutrinárias são bem-vindas quando feitas com humildade, dentro da fé cristã histórica e da teologia reformada, sem espírito de contenda.

3. Nada de conteúdo impróprio

Não serão permitidos:

discursos de ódio, preconceito ou discriminação;

links ou imagens inadequados;

pirataria, propaganda comercial, correntes ou spam.

4. Cuidado com exposições pessoais

Pedidos de oração e testemunhos são bem-vindos, mas evite expor detalhes íntimos de outras pessoas sem consentimento.

Proteja sempre a honra e a privacidade dos irmãos.

5. Ação da moderação

A administração poderá editar, ocultar ou excluir comentários que contrariem estas orientações.

Perfis que insistirem em atitudes desrespeitosas poderão ser bloqueados, para preservarmos um ambiente seguro e saudável.

Nosso compromisso é simples: manter um espaço onde a Palavra de Deus seja honrada, Cristo seja exaltado e cada comentário realmente… faça bem refletir.

Adore o Deus Santo que Reina

Adore o Deus Santo que Reina Texto: Salmo 99 Grande ideia: O Deus santo deve ser adorado porque reina sobre as nações com justiça e, p...