Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
há dias em que o medo parece ter nome, rosto e
peso. Medo do diagnóstico que pode vir, medo do que pode acontecer com os
filhos, medo das contas, medo da solidão, medo de cair de novo no mesmo pecado.
Às vezes é um medo bem definido; às vezes é só uma angústia difusa, um aperto
no peito que a gente nem sabe explicar direito. E, nesses dias, talvez você se
sinta culpado por sentir medo, como se o cristão verdadeiro nunca tremesse,
nunca vacilasse.
É exatamente aí que o Salmo 56 nos encontra, com
esta frase simples e profunda: “No dia em que eu temer, hei de confiar em Ti”
(Sl 56.3).
Repare primeiro numa coisa importante: o salmista
não diz “se eu temer”, mas “no dia em que eu temer”. Ele está assumindo que
haverá dias assim. Dias em que o coração gela, em que a ameaça parece maior do
que nós, em que a fé não soa como grito de vitória, mas como um sussurro
cansado. A Bíblia não fantasia a vida espiritual; ela não pinta o crente como
um super-herói blindado. Ela mostra homens e mulheres reais, que tremem, mas
aprendem onde colocar o coração quando isso acontece.
O contexto de Salmo 56 é de perigo real. O título
do salmo nos lembra de Davi cercado pelos filisteus em Gate, em fuga,
vulnerável, sem garantia humana de proteção. Ele conhecia o gosto do medo. Não
era teoria. E é desse lugar de vulnerabilidade que ele diz: “No dia em que eu
temer, hei de confiar em Ti.” Em seguida, ele completa: “Em Deus, cuja palavra
eu louvo, nesse Deus ponho a minha confiança e nada temerei; que me poderá
fazer o homem?” (Sl 56.4).
Veja o movimento: do medo para a confiança; do
olhar para o perigo para o olhar para Deus. Não porque o perigo some, mas
porque Deus se torna maior aos olhos da fé. A teologia reformada insiste nessa
verdade: fé não é um sentimento vago de otimismo, é descanso no caráter de um
Deus soberano e bom. Eu não confio porque eu sou forte, mas porque Deus é
confiável. Eu não deixo de temer porque o problema é pequeno, mas porque meu
Deus é infinitamente maior do que tudo o que me assusta.
“No dia em que eu temer” significa que Deus
conhece os nossos dias escuros. Ele sabe quando o coração aperta. Ele sabe
quando você perde o sono. Ele sabe quando você se sente prestes a desmoronar.
E, ainda assim, esse Deus não joga você fora por causa das suas fraquezas. Pelo
contrário: é nesse dia que Ele lhe convida a confiar. Não depois que tudo
passar, não quando você estiver mais firme, não quando a fé parecer mais
bonita, mas justamente ali, no meio do tremor.
Confiar, então, não é sentir-se invencível. É,
muitas vezes, dizer com voz trêmula: “Senhor, estou com medo, mas confio em
Ti.” É alinhar o coração com aquilo que sabemos ser verdade, ainda que a emoção
grite o contrário. Em Isaías 41.10, o próprio Deus diz ao seu povo: “Não temas,
porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te
fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” A ordem de
não temer vem acompanhada de razões bem claras: Eu sou contigo, Eu sou o teu
Deus, Eu te fortaleço, Eu te ajudo, Eu te sustento. É como se Ele dissesse:
“Olha para mim, não apenas para o que te assusta.”
E quando olhamos para Cristo, vemos essa
confiança encarnada. No Getsêmani, Jesus se angustia a ponto de suar sangue (Lc
22.44). Ele sente o peso do cálice que vai beber, a realidade da cruz, a
separação, por um momento, da comunhão do Pai. Não há frieza nem indiferença
ali; há dor profunda. Mas, entre lágrimas e agonia, Ele ora: “Pai, não se faça
a minha vontade, mas a Tua” (Lc 22.42). Isso é confiar no dia do temor:
submeter o coração, a vontade, os caminhos à sabedoria e ao amor do Pai.
A boa notícia do evangelho é que Cristo confiou
perfeitamente onde nós falhamos. Ele foi obediente até o fim, sem pecado, para
que, quando nós vacilamos, tenhamos um Salvador que intercede por nós. Em vez
de dizer: “Como você ainda tem medo?”, Ele diz: “Venha a mim, você que está
cansado e sobrecarregado, e eu lhe darei descanso” (Mt 11.28). Em vez de nos
rejeitar, Ele nos recebe, nos limpa, nos ensina, nos fortalece. A fé que confia
em meio ao medo não nasce de um esforço humano isolado, mas é fruto da graça do
Deus que opera em nós “tanto o querer como o efetuar” (Fp 2.13).
Talvez, hoje, o seu “dia do temor” tenha nome bem
definido. Você vê a situação à sua frente e pensa: “Eu não dou conta.” E, de
fato, talvez você não dê mesmo. Mas a promessa nunca foi que você daria conta
de tudo; a promessa é que Deus seria com você em tudo. Paulo ouviu do Senhor:
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co
12.9). Isso significa que o dia do medo pode se tornar, pela graça, o dia da
confiança mais profunda. Porque é ali que você descobre, não na teoria, mas na
prática, que Deus é suficiente.
Confiar, então, nesse contexto, é escolher
repetir as promessas de Deus para o próprio coração, mesmo quando a alma ainda
está inquieta. É abrir a Escritura, encontrar ali o Deus que não muda, e dizer:
“Senhor, eu creio; ajuda a minha incredulidade” (Mc 9.24). É derramar o medo em
oração, dizendo com honestidade o que dói, e deixar que o Espírito Santo
console, corrija, reoriente. É, se necessário, buscar apoio de irmãos na fé,
porque Deus também nos sustenta através do corpo de Cristo.
Querido leitor, talvez você se veja fraco demais
para orar bonito, para declarar coisas grandes. Então comece simples, comece
pequeno. Comece com a própria frase do salmo: “No dia em que eu temer, hei de
confiar em Ti.” Diga isso pela manhã, no meio do dia, à noite. Quando a
ansiedade vier, quando a imaginação disparar, volte a essa verdade. Não como um
mantra vazio, mas como lembrança viva de que Deus está ali, presente, atento,
soberano.
Que hoje o Espírito Santo pegue pela mão o seu
coração temeroso e o conduza a essa confiança serena. Que você consiga olhar,
ainda que com lágrimas, para Aquele que é maior que o seu medo. E que, na hora
em que o temor bater à porta, você possa, pela fé, responder: “Sim, eu temo.
Mas não estou sozinho. No dia em que eu temer, hei de confiar em Ti, Senhor.”
Que essa seja a canção suave que acompanha seus passos, até o dia em que todo
medo for finalmente silenciado na presença plena do nosso Deus. Amém.
Pr. Jorge R. Lisboa
Nenhum comentário:
Postar um comentário
📝 Política de Comentários – Comunidade Faz Bem Refletir
A Comunidade Faz Bem Refletir existe para fortalecer a fé, consolar corações cansados e apontar para Cristo como centro de tudo.
Por isso, os comentários precisam caminhar na mesma direção.
1. Cristo no centro e respeito em tudo
Comentários devem refletir o espírito do evangelho: respeito, mansidão e amor à verdade.
Não serão aceitos ataques pessoais, ironias agressivas, xingamentos ou qualquer forma de desrespeito.
2. Ambiente de edificação, não de confusão
O objetivo é edificar, não vencer debates.
Discussões doutrinárias são bem-vindas quando feitas com humildade, dentro da fé cristã histórica e da teologia reformada, sem espírito de contenda.
3. Nada de conteúdo impróprio
Não serão permitidos:
discursos de ódio, preconceito ou discriminação;
links ou imagens inadequados;
pirataria, propaganda comercial, correntes ou spam.
4. Cuidado com exposições pessoais
Pedidos de oração e testemunhos são bem-vindos, mas evite expor detalhes íntimos de outras pessoas sem consentimento.
Proteja sempre a honra e a privacidade dos irmãos.
5. Ação da moderação
A administração poderá editar, ocultar ou excluir comentários que contrariem estas orientações.
Perfis que insistirem em atitudes desrespeitosas poderão ser bloqueados, para preservarmos um ambiente seguro e saudável.
Nosso compromisso é simples: manter um espaço onde a Palavra de Deus seja honrada, Cristo seja exaltado e cada comentário realmente… faça bem refletir.