Bem-vindos! 🖐️
Há corações que vivem como quem carrega uma mala
cheia de coisas inúteis: tradições humanas, méritos imaginários, culpas
antigas, promessas vazias deste século. Quanto mais caminham, mais pesados
ficam. E, no entanto, diante deles, o Senhor Jesus se apresenta como um
Salvador perfeito, suficiente, completo em si mesmo, e ainda assim muitos
insistem em segurar a bagagem. O grande drama espiritual do nosso tempo não é
falta de recursos em Cristo, mas incredulidade diante de Sua suficiência.
O Espírito Santo nos
conduz a contemplar estas palavras:
“Porque nele habita
corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo
principado e potestade.” (Colossenses 2:9-10)
Paulo escreve a uma
igreja tentada a acrescentar algo a Cristo: filosofias vazias, práticas
religiosas, observâncias externas. A resposta do apóstolo não é um “Cristo
plus”, mas um “Cristo somente”. Em Jesus habita toda a plenitude de Deus; não
há falta, não há sobra, não há necessidade de complemento. E, unido a Ele pela
fé, o crente é declarado “perfeito” — não em si mesmo, mas nEle. Aqui repousa o
coração da fé reformada: a justiça que nos torna aceitos diante de Deus não
nasce de nós, mas é imputada a nós, pela graça soberana, em Cristo (cf. 2
Coríntios 5:21).
A suficiência de
Cristo começa na nossa justificação. Na cruz, Ele bradou: “Está consumado”
(João 19:30). Não há obra a acrescentar, não há pagamento pendente, não há
dívida restante para ser quitada pelo pecador. “Porque pela graça sois salvos,
por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para
que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Tentar completar com obras humanas
aquilo que Cristo já consumou é insultar a perfeição de Seu sacrifício.
Mas Sua suficiência
não se limita ao início da vida cristã. Ele é suficiente para nossa
santificação. Muitos olham para dentro de si e só enxergam fraqueza, corrupção,
inconstância — e é verdade. No entanto, esquecem que aquele que os chamou
também é “suficiente” para os preservar. “Porque Deus é o que opera em vós
tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). O
mesmo Cristo que nos justificou é o Cristo que nos transforma, que poda,
disciplina, consola e fortalece. Onde o crente se vê incapaz, deve lembrar: “A
minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2
Coríntios 12:9).
E que diremos do
futuro? Cristo é suficiente também para a nossa perseverança e esperança final.
Não chegaremos ao céu porque fomos fortes, mas porque Ele é fiel. “E pode
também salvar perfeitamente os
que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus
7:25). Há uma intercessão contínua, um Sacerdote eterno, um sangue que não
perde o seu poder, uma aliança que não se quebra.
Irmão, irmã, onde
você tem buscado complemento para aquilo que já é perfeito em Cristo? Nas suas
obras, nos seus sentimentos, na aprovação dos homens, em ritos religiosos, em
promessas de autoajuda? Lembre-se: tudo isso é areia movediça. Cristo somente é
Rocha. Ele é suficiente para perdoar o seu pecado mais escuro, para sustentar a
sua fé mais vacilante, para consolar a sua dor mais aguda e para guardar a sua
alma na hora da morte.
Diante de um
Salvador assim, a única resposta digna é a confiança rendida. Deixe cair das
mãos a bagagem inútil. Descanse no Cristo perfeito. Como já se dizia nos
púlpitos batistas de outrora: “Tudo que está fora de Cristo é insuficiente;
tudo que está em Cristo é suficiente; e Cristo é tudo.”
Que possamos orar:
“Senhor Jesus, confesso que tantas
vezes procuro fora de Ti aquilo que só em Ti existe em plenitude. Perdoa a
minha incredulidade, quebra o meu orgulho, esvazia-me de confiança própria.
Enche-me da certeza de que Tu és suficiente para me salvar, santificar e
guardar até o fim. Em teu nome, amém.”
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
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