Bem-vindos! 🖐️
Coroas brilham, tronos se erguem, nomes são
exaltados — mas, aos olhos de Deus, todo cetro humano é apenas um cajado
emprestado. A história está cheia de reis, governantes, chefes e líderes que
imaginaram ter em si mesmos a fonte do poder. No entanto, a Escritura levanta a
voz e corrige essa ilusão: toda autoridade é dom de Deus, dada para servir, não
para dominar.
Jesus declarou: “Toda
a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28.18). Não há poder
legítimo que não esteja, em última instância, nas mãos do Cristo ressurreto. E
o apóstolo Paulo reforça: “Não há autoridade que não proceda de Deus; e as
autoridades que existem foram por ele instituídas” (Romanos 13.1). A teologia
reformada nos lembra que Deus governa todas as coisas pela sua providência
sábia e soberana, inclusive as estruturas de autoridade na família, na igreja e
na sociedade.
Mas o que o mundo
faz com esse dom? Em geral, transforma autoridade em plataforma de vaidade,
instrumento de opressão, meio de autopromoção. Os discípulos de Jesus também
foram tentados por esse espírito. Disputavam quem seria o maior. Foi então que
o Senhor os chamou e disse: “Sabeis que os que são considerados governadores
dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem
autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se
grande entre vós será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre
vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do homem não veio para ser
servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos
10.42-45).
Aqui está o padrão
definitivo: o Rei eterno assumiu a forma de Servo. Aquele que, por direito,
poderia exigir toda adoração, desceu, lavou pés, abraçou cruz, derramou sangue.
Na cruz, vemos a autoridade suprema de Cristo exercida não para esmagar pecadores,
mas para salvá-los pela graça soberana. É assim que Deus define autoridade: um
dom concedido para o bem do outro, jamais um pretexto para tirania.
Aplicando isso,
somos confrontados. Pais são chamados a exercer autoridade no lar não como
ditadores, mas como pastores da alma de seus filhos, conduzindo-os em amor,
disciplina e ensino da Palavra (Efésios 6.4). Pastores e líderes da igreja não
são donos do rebanho, mas servos de Cristo para apascentar as ovelhas que Ele
comprou com o próprio sangue (Atos 20.28; 1 Pedro 5.2-3). Governantes civis,
mesmo quando não reconhecem, são ministros de Deus para promover o bem e
refrear o mal (Romanos 13.3-4).
Se você recebeu
qualquer parcela de autoridade — no casamento, na família, na igreja, no
trabalho — isso não é palco para o seu ego, mas altar para o seu serviço. É
preciso arrepender-se de todo uso autoritário, seco de graça, e clamar:
“Senhor, livra-me de usar o teu dom para construir o meu reino. Faz-me servo, à
imagem de Cristo.”
E se você vive
debaixo de autoridades injustas, lembre-se: acima de todo poder humano está o
trono inabalável de Deus. Nenhum abuso, nenhuma distorção escapará do juízo
daquele que é o Rei dos reis. Em meio às injustiças, você pode descansar na
promessa: “O Senhor reina; tremam os povos” (Salmo 99.1). A fé reformada nos
chama a confiar que o Deus soberano governa até mesmo sobre autoridades ímpias,
usando-as, limitando-as e julgando-as a seu tempo.
Que este seja o
clamor do nosso coração:
Senhor
Jesus, Rei e Servo, tu que recebeste toda autoridade no céu e na terra,
ensina-me a usar qualquer posição que me deres como oportunidade de servir, não
de dominar. Que eu me lembre, todos os dias, de que o cetro pertence a ti, e eu
sou apenas um mordomo da tua graça. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
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