Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
quando falamos em “boa
vontade”, talvez logo pensemos em simpatia, gentileza, um jeito mais leve de
lidar com as pessoas. Mas, à luz da Bíblia, boa vontade é algo mais profundo: é
uma disposição do coração que deseja o bem do outro, mesmo quando isso custa
para nós. É um coração que decide, pela graça, não viver armado, desconfiado,
sempre na defensiva, mas aberto para abençoar, perdoar, servir.
O ponto de partida,
porém, não é o nosso esforço. A boa vontade verdadeira nasce de algo muito
maior: da boa vontade de Deus para conosco. Quando os anjos anunciaram o
nascimento de Jesus, cantaram: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa
vontade para com os homens” (Lc 2.14, ARC). Isso significa que, em Cristo, Deus
se revela como Aquele que se inclina para nós com favor, misericórdia, graça.
Nós não éramos dignos, não éramos simpáticos, não éramos atraentes
espiritualmente. Éramos pecadores, inimigos, afastados. Ainda assim, Deus vem
ao nosso encontro com boa vontade – não por causa de nós, mas por causa de
Cristo.
Perceba: a boa
vontade de Deus não é uma emoção passageira, é uma decisão eterna de amar,
salvar e restaurar um povo para si. Ele não olhou para nós e pensou: “Eles
merecem uma chance”; Ele decidiu, soberanamente, ter prazer em nos resgatar. É
isso que Paulo anuncia quando fala da “boa vontade de Sua vontade” (Ef 1.5),
mostrando que a nossa adoção como filhos foi fruto de um querer amoroso de
Deus. Antes de falarmos sobre cultivar boa vontade com os outros, precisamos
nos lembrar: nós só podemos dar, porque primeiro recebemos.
Mas, como isso
desce para a nossa vida diária? Vamos ser honestos: o nosso coração não é
naturalmente inclinado à boa vontade. A nossa tendência é outra: guardar mágoa,
alimentar suspeitas, interpretar tudo pelo pior lado, olhar o outro com filtros
de comparação, crítica ou indiferença. Às vezes, ficamos até surpresos quando
alguém faz algo bom “sem interesse”. O pecado deformou tão fundo a nossa
percepção que a gente tende a achar que sempre há uma segunda intenção
escondida.
É aqui que o
evangelho começa a trabalhar. Quando o Espírito Santo nos faz ver o quanto
fomos alcançados pela boa vontade de Deus em Cristo, alguma coisa precisa mudar
em como olhamos para as pessoas. Paulo exorta: “Sede bondosos e compassivos uns
para com os outros, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo
vos perdoou” (Ef 4.32). Bondade e compaixão são frutos dessa lembrança: “como
também Deus em Cristo vos perdoou”. Ou seja: quem foi visitado pela boa vontade
de Deus é chamado a refletir essa boa vontade ao redor.
Cultivar boa
vontade não é fingir que ninguém erra, que ninguém fere, que ninguém
decepciona. É justamente no contexto de pecado real, conflitos reais, decepções
concretas, que somos chamados a escolher outro caminho. A boa vontade olha para
o outro não pela lente da perfeição, mas pela lente da graça: sabe que o outro
tem falhas, sim, mas ainda assim decide não transformar cada falha em motivo de
sentença definitiva. Decide dar uma nova chance, ouvir de novo, tentar
compreender, orar em vez de apenas criticar.
Talvez você tenha,
na memória, rostos que imediatamente despertam em você não boa vontade, mas
resistência: aquela pessoa que te feriu, o irmão que falou algo atravessado, um
familiar que sempre traz lembranças dolorosas, alguém da igreja com quem o relacionamento
“travou”. É justamente nesses lugares que o Espírito nos chama a cultivar um
outro tipo de olhar. Não é fácil, não é automático, não é natural. Mas é
possível, porque não nasce de nós: nasce de Cristo em nós.
Boa vontade tem
muito a ver com o jeito que falamos, também. Paulo escreve: “Seja a vossa
moderação conhecida de todos os homens” (Fp 4.5). Uma vida marcada pela boa
vontade não vive explodindo, atacando, ironizando, ferindo com palavras. Pelo
contrário, procura edificar, mesmo quando precisa confrontar. Não significa
ficar calado diante do erro, mas falar sempre com o alvo certo: não destruir o
outro, e sim ganhar o irmão (Mt 18.15).
Cultivar a boa
vontade também passa por aquilo que alimentamos em nossa mente. Se fico o tempo
todo relembrando ofensas, ruminando o que fizeram contra mim, me comparando com
os outros, dificilmente o meu coração será disposto ao bem. Por isso Paulo nos orienta
a pensar no que é “verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama” (Fp
4.8). Não é uma fuga da realidade, é escolher não alimentar em nosso interior
um tribunal permanente contra todo mundo.
Talvez você
pergunte: “Mas, e quando a pessoa realmente foi injusta comigo? E quando ela
não se arrepende? E quando continua difícil?”. A boa vontade não elimina a
necessidade de verdade, de limites, de sabedoria. Em alguns casos, será
necessário manter certa distância, proteger-se de abusos, dizer “não”. A boa
vontade não é ingenuidade; é obedecer ao mandamento de amar até os inimigos (Mt
5.44), o que pode significar, em certos casos, apenas orar por eles, não
desejar o mal, entregar à justiça de Deus. Não é caminhar lado a lado com quem
insiste em destruir, mas também não é alimentar ódio e vingança.
A pergunta que fica
para nós é: como cultivar essa boa vontade num mundo tão duro, competitivo,
apressado e, muitas vezes, cruel? A resposta bíblica é simples e profunda:
permanecendo em Cristo. Ele disse: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Isso
inclui cultivar a boa vontade. Se eu não estiver bebendo diariamente da graça,
da Palavra, da comunhão com o Senhor, eu vou voltar automaticamente ao padrão
da carne: irritação, dureza, indiferença. Mas, quando eu me lembro, em oração,
de como fui alcançado, pacientemente tratado, perdoado inúmeras vezes, o
Espírito suaviza o meu coração para com os outros.
Querido leitor,
talvez hoje você precise começar essa prática de forma bem concreta: lembrar de
alguém com quem você tem sido duro, frio, impaciente… e pedir ao Senhor um
coração de boa vontade para com essa pessoa. Talvez signifique uma mensagem
diferente, um tom mais brando, um perdão liberado, uma oração sincera por ela.
Talvez signifique pedir perdão por ter alimentado uma má vontade que o
evangelho não autoriza mais você a manter.
Que o Senhor, que
nos cercou com a Sua boa vontade em Cristo, ensine-nos a espelhar algo disso
nas relações de cada dia. Que Ele cure em nós a tendência de julgar rápido,
condenar fácil, desistir cedo dos outros. E que, pouco a pouco, pela obra do
Espírito, a boa vontade se torne um traço marcante da nossa vida – não para
nossa glória, mas para que outros vejam, através de nós, um reflexo ainda que
pequeno da graça de Deus.
Que hoje você possa orar assim: “Senhor, Tu me trataste
com boa vontade quando eu não merecia. Não me deixes viver endurecido,
desconfiado, preso em mágoas. Amolece o meu coração. Ensina-me a olhar pessoas
como Tu me olhaste em Cristo. Que a Tua graça transborde de tal forma em mim,
que a boa vontade não seja apenas um discurso bonito, mas um modo real de
viver.” E que Ele mesmo responda essa oração, fazendo da sua vida um sinal de
Seu amor onde você estiver. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
Nenhum comentário:
Postar um comentário
📝 Política de Comentários – Comunidade Faz Bem Refletir
A Comunidade Faz Bem Refletir existe para fortalecer a fé, consolar corações cansados e apontar para Cristo como centro de tudo.
Por isso, os comentários precisam caminhar na mesma direção.
1. Cristo no centro e respeito em tudo
Comentários devem refletir o espírito do evangelho: respeito, mansidão e amor à verdade.
Não serão aceitos ataques pessoais, ironias agressivas, xingamentos ou qualquer forma de desrespeito.
2. Ambiente de edificação, não de confusão
O objetivo é edificar, não vencer debates.
Discussões doutrinárias são bem-vindas quando feitas com humildade, dentro da fé cristã histórica e da teologia reformada, sem espírito de contenda.
3. Nada de conteúdo impróprio
Não serão permitidos:
discursos de ódio, preconceito ou discriminação;
links ou imagens inadequados;
pirataria, propaganda comercial, correntes ou spam.
4. Cuidado com exposições pessoais
Pedidos de oração e testemunhos são bem-vindos, mas evite expor detalhes íntimos de outras pessoas sem consentimento.
Proteja sempre a honra e a privacidade dos irmãos.
5. Ação da moderação
A administração poderá editar, ocultar ou excluir comentários que contrariem estas orientações.
Perfis que insistirem em atitudes desrespeitosas poderão ser bloqueados, para preservarmos um ambiente seguro e saudável.
Nosso compromisso é simples: manter um espaço onde a Palavra de Deus seja honrada, Cristo seja exaltado e cada comentário realmente… faça bem refletir.