sábado, 20 de dezembro de 2025

Você espera ser honrado em um mundo que teu Senhor foi crucificado? Charles H. Spurgeon

 Bem-vindos! 🖐️

Querido irmão, querida irmã,

essa pergunta de Spurgeon é como uma luz forte acesa no meio do nosso coração: “Você espera ser honrado em um mundo que teu Senhor foi crucificado?” Ela não foi feita para nos humilhar por esporte, mas para nos acordar com amor. Porque, se formos honestos, há dias em que a gente quer ser fiel a Cristo e, ao mesmo tempo, ser aplaudido por todos. Quer carregar a cruz… mas sem o peso. Quer seguir o Cordeiro… mas sem a vergonha do Calvário.

O evangelho, porém, nos coloca diante de um contraste inevitável. O mundo não soube o que fazer com Jesus. Ele veio cheio de graça e verdade, e o mundo respondeu com uma cruz. O Justo foi tratado como criminoso. O Santo foi cuspido. O Rei foi coroado com espinhos. E então o próprio Senhor nos diz, com uma franqueza que cura ilusões: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15.20). Percebe? Não é surpresa; é caminho. Não é acidente; é identificação.

Muitas vezes, nossa dor não está só no sofrimento em si, mas no espanto: “Por que comigo? Por que essa rejeição? Por que esse desprezo?” E a Palavra vem e coloca o sofrimento do crente dentro de um contexto maior: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós… antes, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo” (1Pe 4.12-13). O apóstolo não está romantizando a dor; ele está tirando de nós a ingenuidade. Ser de Cristo, num mundo que crucificou Cristo, significa nadar contra a corrente — e correnteza não aplaude quem a enfrenta.

Mas aqui está a parte que o coração cansado precisa ouvir: a cruz não é o fim da história. A mesma estrada que passa pelo Gólgota chega ao túmulo vazio. O mesmo Cristo que foi humilhado foi exaltado pelo Pai (Fp 2.8-11). Então, quando Spurgeon nos confronta, ele não está nos convidando a uma vida amarga, como se Deus tivesse prazer em nos ver feridos. Ele está nos convidando a alinhar nossas expectativas com a realidade do Reino: neste mundo, a honra pode vir disfarçada de rejeição; e a aprovação mais importante pode vir acompanhada da desaprovação dos homens.

O que isso significa na prática? Significa que, quando você é fiel e perde espaço, Cristo não perdeu o controle. Quando você se recusa a negociar a verdade e isso te custa um “não”, Cristo não te abandonou. Quando seu nome é tratado com desprezo por causa do Nome dele, o céu não está em silêncio. Jesus mesmo disse: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça… alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mt 5.10-12). Note a lógica do Reino: não é “feliz porque dói”, mas “feliz porque pertence”. A dor não é boa; Cristo é. E estar com Cristo vale mais do que qualquer honra que o mundo distribui hoje e retira amanhã.

Talvez você esteja lendo isso e pensando: “Mas eu só queria uma vida tranquila.” Eu entendo. Só que o descanso verdadeiro não é a ausência de conflito; é a presença de Cristo. E é por isso que Hebreus nos chama a olhar para Ele: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé… o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz… considerai, pois, atentamente aquele que suportou… para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma” (Hb 12.2-3). Repare: quando os olhos se prendem ao aplauso, a alma desmaia. Quando os olhos se fixam em Jesus, a alma persevera.

Então, meu irmão, minha irmã, não faça do mundo o tribunal final. Não coloque na mão de pessoas frágeis o poder de dizer se sua vida valeu a pena. A cruz nos ensina que o mundo pode errar feio no julgamento — e errou com o próprio Filho de Deus. Mas o Pai não erra. Ele viu cada lágrima silenciosa da fidelidade. Ele viu cada renúncia que ninguém aplaudiu. Ele viu cada vez que você preferiu agradá-lo em secreto. E Ele é o Deus que, no tempo certo, honra os que se humilham debaixo de sua poderosa mão (1Pe 5.6).

Que o Senhor ajuste nossa sede de reconhecimento e cure nossa fome de aplauso, colocando em nós uma alegria mais sólida: ser de Cristo, andar com Cristo, sofrer com Cristo — e, finalmente, ser glorificado com Ele. E que, quando o mundo nos negar honra, a voz do evangelho seja mais alta no nosso peito: “Basta-te a minha graça.” Amém.

✍️ Pr. Jorge R. Lisboa 

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