Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
essa pergunta de Spurgeon é como uma luz forte
acesa no meio do nosso coração: “Você espera ser honrado em um mundo que teu
Senhor foi crucificado?” Ela não foi feita para nos humilhar por esporte, mas
para nos acordar com amor. Porque, se formos honestos, há dias em que a gente
quer ser fiel a Cristo e, ao mesmo tempo, ser aplaudido por todos. Quer
carregar a cruz… mas sem o peso. Quer seguir o Cordeiro… mas sem a vergonha do
Calvário.
O evangelho, porém, nos coloca diante de um
contraste inevitável. O mundo não soube o que fazer com Jesus. Ele veio cheio
de graça e verdade, e o mundo respondeu com uma cruz. O Justo foi tratado como
criminoso. O Santo foi cuspido. O Rei foi coroado com espinhos. E então o
próprio Senhor nos diz, com uma franqueza que cura ilusões: “Se me perseguiram
a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15.20). Percebe? Não é surpresa; é
caminho. Não é acidente; é identificação.
Muitas vezes, nossa dor não está só no sofrimento
em si, mas no espanto: “Por que comigo? Por que essa rejeição? Por que esse
desprezo?” E a Palavra vem e coloca o sofrimento do crente dentro de um
contexto maior: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de
vós… antes, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos
de Cristo” (1Pe 4.12-13). O apóstolo não está romantizando a dor; ele está
tirando de nós a ingenuidade. Ser de Cristo, num mundo que crucificou Cristo,
significa nadar contra a corrente — e correnteza não aplaude quem a enfrenta.
Mas aqui está a parte que o coração cansado
precisa ouvir: a cruz não é o fim da história. A mesma estrada que passa pelo
Gólgota chega ao túmulo vazio. O mesmo Cristo que foi humilhado foi exaltado
pelo Pai (Fp 2.8-11). Então, quando Spurgeon nos confronta, ele não está nos
convidando a uma vida amarga, como se Deus tivesse prazer em nos ver feridos.
Ele está nos convidando a alinhar nossas expectativas com a realidade do Reino:
neste mundo, a honra pode vir disfarçada de rejeição; e a aprovação mais importante
pode vir acompanhada da desaprovação dos homens.
O que isso significa na prática? Significa que,
quando você é fiel e perde espaço, Cristo não perdeu o controle. Quando você se
recusa a negociar a verdade e isso te custa um “não”, Cristo não te abandonou.
Quando seu nome é tratado com desprezo por causa do Nome dele, o céu não está
em silêncio. Jesus mesmo disse: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da
justiça… alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mt
5.10-12). Note a lógica do Reino: não é “feliz porque dói”, mas “feliz porque
pertence”. A dor não é boa; Cristo é. E estar com Cristo vale mais do que
qualquer honra que o mundo distribui hoje e retira amanhã.
Talvez você esteja lendo isso e pensando: “Mas eu
só queria uma vida tranquila.” Eu entendo. Só que o descanso verdadeiro não é a
ausência de conflito; é a presença de Cristo. E é por isso que Hebreus nos
chama a olhar para Ele: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé… o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz… considerai,
pois, atentamente aquele que suportou… para que não vos fatigueis, desmaiando
em vossa alma” (Hb 12.2-3). Repare: quando os olhos se prendem ao aplauso, a
alma desmaia. Quando os olhos se fixam em Jesus, a alma persevera.
Então, meu irmão, minha irmã, não faça do mundo o
tribunal final. Não coloque na mão de pessoas frágeis o poder de dizer se sua
vida valeu a pena. A cruz nos ensina que o mundo pode errar feio no julgamento
— e errou com o próprio Filho de Deus. Mas o Pai não erra. Ele viu cada lágrima
silenciosa da fidelidade. Ele viu cada renúncia que ninguém aplaudiu. Ele viu
cada vez que você preferiu agradá-lo em secreto. E Ele é o Deus que, no tempo
certo, honra os que se humilham debaixo de sua poderosa mão (1Pe 5.6).
Que o Senhor ajuste nossa sede de reconhecimento
e cure nossa fome de aplauso, colocando em nós uma alegria mais sólida: ser de
Cristo, andar com Cristo, sofrer com Cristo — e, finalmente, ser glorificado
com Ele. E que, quando o mundo nos negar honra, a voz do evangelho seja mais
alta no nosso peito: “Basta-te a minha graça.” Amém.
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