Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã, que pergunta é essa
que Jesus coloca na mesa… e que, quando chega, não nos deixa no mesmo lugar. Há
perguntas que servem apenas para preencher conversa. Mas há perguntas que são
como luz acesa num quarto escuro: elas revelam o que está ali. Em Mateus 22,
Jesus faz uma dessas perguntas — e, com ela, toca o centro da fé: “Qual é a
vossa opinião a respeito do Cristo? De quem é ele filho?” (Mt 22.42).
Perceba: Jesus não está pedindo uma informação
fria, como quem faz uma prova de teologia. Ele está exigindo uma confissão.
Porque o cristianismo não começa com “o que você acha da ética de Jesus?”, nem
com “você acha bonitas as palavras dele?”. A fé cristã começa — e recomeça —
com a pergunta inevitável: “o que você pensa do Cristo?”. Mais do que isso:
quem ele é para você. Não apenas na teoria, mas no governo do coração.
Os fariseus respondem rápido, sem titubear: “De
Davi.” E, de fato, há verdade nisso. As promessas do Antigo Testamento apontam
para um rei davídico, um descendente do trono (como em 2Sm 7). Eles têm o
rótulo correto. O problema é que rótulo não é rendição. Eles acertam a
genealogia, mas tropeçam na glória. Dizem “Filho de Davi” com a boca, mas não
conseguem dizer “meu Senhor” com a vida.
Então Jesus faz o que sempre faz: ele coloca a
Escritura no centro — não tradições, não disputa de escola, não jogo de
argumentos. Ele chama Davi como testemunha e abre o Salmo 110 diante deles:
“Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha
teus inimigos debaixo de teus pés” (Mt 22.44; Sl 110.1).
E aqui o chão começa a tremer — especialmente
para quem queria um Messias “domesticado”, um Cristo que coubesse dentro do
orgulho religioso. Porque Jesus mostra que Davi, pelo Espírito, chama o Messias
de “meu Senhor”. Ou seja: o Messias não é apenas descendente de Davi; ele é
Senhor de Davi. Ele é, sim, o Filho prometido — humano, nascido na história,
entrando na nossa carne. Mas ele é também o Senhor entronizado — digno de se
assentar à direita do Pai, digno de reinar, digno de receber honra e domínio.
E aí vem a pergunta que desarma: “Se Davi, pois,
o chama Senhor, como é ele seu filho?” (Mt 22.45). Jesus não está negando que o
Cristo seja Filho de Davi. Ele está negando a redução. Ele está dizendo, em
outras palavras: “Vocês querem um Cristo pequeno demais. Um Cristo que confirme
vocês, mas não confronte vocês. Um Cristo útil, mas não soberano. Um Cristo que
ajude nos dias ruins, mas não reine sobre os pecados preferidos.” Só que o
Cristo do evangelho não cabe nessa moldura. Ele é Filho de Davi… e Senhor de
Davi.
Irmão, irmã, isso é muito atual. Nós também temos
a nossa versão de “Filho de Davi”: um Jesus que cura, mas não governa; um Jesus
que perdoa, mas não manda; um Jesus que consola, mas não corrige; um Jesus que
acompanha, mas não ocupa o trono. Só que o trono não fica vazio. Sempre há um
rei ali. Se Cristo não reina, outra coisa reina: o medo, o controle, a
aprovação das pessoas, o prazer, a amargura, um pecado que virou estimação, o
orgulho de “estar certo”. E, no fundo, é isso que Jesus está perguntando quando
pergunta o que pensamos do Cristo: “Quem manda em você?”
Mas repare também na promessa embutida no Salmo:
“até que eu ponha teus inimigos debaixo de teus pés”. Cristo não é apenas
verdadeiro; ele é vitorioso. Ele reina, e reinará até que todo inimigo seja
colocado sob seus pés. E há uma doçura pastoral aqui que às vezes passa
despercebida: Jesus diz isso a poucos dias da cruz. A sombra do Calvário já
está no caminho. E, ainda assim, ele fala como Rei, porque sabe que a cruz não
é o fim — é o caminho da coroa. Para nós, que tantas vezes atravessamos a
semana como se a dor fosse a última palavra, isso é descanso: em Cristo, a cruz
conduz à glória; a lágrima não é sentença final; a obediência em meio ao
sofrimento não é desperdício.
No fim, os fariseus ficam em silêncio (Mt 22.46).
Há silêncios que são humildes, quando a alma finalmente diz: “Senhor, não tenho
defesa, eu me rendo.” Mas há silêncios que são resistência, quando a pessoa
entendeu… e mesmo assim não quer. E é por isso que essa pergunta atravessa
séculos e chega até nós, hoje, com o mesmo peso: “Que pensais vós do Cristo?”
(Mt 22.42).
Querido leitor, que a nossa resposta não seja o
silêncio duro de quem resiste ao trono, mas a confissão viva de quem se rende
ao Rei. Se você tem carregado um Cristo pequeno, volte às Escrituras e
contemple o Cristo grande: Filho de Davi e Senhor de Davi, verdadeiro homem e
verdadeiro Deus. E, se hoje o seu coração está dividido, cansado, cheio de
negociações, faça o que a graça sempre nos chama a fazer: depor os usurpadores
e se entregar ao Rei manso que salva pecadores. Que o Espírito Santo nos leve a
dizer não apenas com palavras, mas com a vida: Jesus Cristo é Senhor (Fp 2.11).
Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa ©2026
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