Artigo 1 — Acima de todos os
governos há um trono
Textos-base:
Salmo 2; Daniel 2.20–21; Romanos 13.1–7; Provérbios 21.1
Quando a política domina as conversas, é
fácil agir como se o destino do mundo estivesse nas mãos dos homens.
Uma eleição se aproxima e alguns entram em
desespero. Um candidato vence e outros falam como se a redenção tivesse
chegado. Mudam os nomes, as siglas e as promessas, mas a tentação permanece:
atribuir aos governantes um poder que eles não possuem.
A Bíblia começa nossa reflexão em outro
lugar.
Antes de falar sobre o que o Estado deve
fazer, precisamos lembrar quem governa sobre o Estado.
Daniel declarou que Deus “remove reis e
estabelece reis” (Dn 2.21). O Salmo 2 apresenta as nações agitadas e os
governantes conspirando. Contudo, o Senhor não está ameaçado. Ele reina dos
céus e estabeleceu o seu Rei.
Isso não significa que toda decisão
política seja boa. Também não significa que Deus aprove a injustiça dos
governantes. Significa que nenhuma autoridade é autônoma. Até o governante mais
poderoso continua sendo criatura. Ele ocupa um lugar temporário, exerce uma
autoridade derivada e prestará contas ao Juiz de toda a terra.
A providência não transforma o mal em bem
Precisamos tomar cuidado aqui.
Dizer que Deus é soberano não é chamar o
mal de bem. A Escritura reconhece governos que preservam a ordem e governos que
perseguem os santos. Romanos 13 chama a autoridade de serva de Deus para o bem.
Apocalipse 13 mostra o poder político assumindo características de besta.
O mesmo Estado que pode restringir a
violência também pode tornar-se instrumento de opressão.
A soberania de Deus não inocenta o tirano.
Ela nos assegura que até o tirano está debaixo do juízo divino. Deus conduz a
história sem participar do pecado das criaturas. Os homens agem conforme seus
desejos e são responsáveis por suas ações; o Senhor, porém, continua cumprindo
seus santos propósitos.
Na cruz vemos isso com clareza. Herodes,
Pilatos, líderes religiosos e multidões agiram com culpa verdadeira. Ainda
assim, fizeram aquilo que a mão e o propósito de Deus haviam predeterminado (At
4.27–28). A maior injustiça cometida por homens tornou-se, pela sabedoria de
Deus, o caminho da nossa redenção.
A soberania produz sobriedade
Essa verdade corrige tanto o desespero
quanto a euforia.
Quando o candidato que desejamos perde,
Cristo não perde o trono.
Quando o candidato que apoiamos vence,
Cristo não divide o trono.
Governos mudam. Leis mudam. Nações crescem
e declinam. O Senhor permanece.
Isso não nos torna indiferentes. A
providência de Deus nunca foi uma desculpa para preguiça. Oramos, votamos,
servimos, denunciamos a injustiça e buscamos o bem do próximo. Fazemos tudo
isso, porém, sem imaginar que carregamos o mundo nos ombros.
Confesso que meu próprio coração precisa
reaprender essa verdade. Notícias ruins podem alimentar ansiedade. Notícias
favoráveis podem produzir confiança excessiva. Em ambos os casos, a Palavra me
chama de volta: o Senhor reina.
Um Rei diferente
Jesus Cristo não governa como os reis deste
mundo.
Ele não conquistou seu povo por propaganda,
manipulação ou violência. O Rei prometido veio como Servo. Carregou a culpa de
pecadores, morreu na cruz e ressuscitou vitorioso. Agora toda autoridade no céu
e na terra lhe pertence.
Os governantes deste mundo precisam ser
lembrados de que são servos. Cristo, porém, é o Senhor.
Por isso, o cristão pode participar da
política sem fazer dela sua religião. Nossa segurança não repousa na
estabilidade das instituições, embora devamos valorizá-las. Nossa esperança não
repousa na sabedoria dos líderes, embora devamos pedir que Deus lhes conceda
sabedoria.
Nossa esperança repousa em Cristo.
Para examinar o coração
Minha paz aumenta e diminui conforme as
notícias políticas?
Tenho falado de algum governante como se
ele fosse indispensável aos propósitos de Deus?
Consigo participar da vida pública com
responsabilidade e, ao mesmo tempo, descansar na providência?
A primeira confissão política da igreja não
é o nome de um candidato. É esta: Jesus Cristo é Senhor.
No próximo artigo, veremos o que esse Senhor confiou ao governo civil — e o que nunca confiou.
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