Artigo 11 — Quando a política
entra na comunhão da igreja
Textos-base:
Romanos 14.1–12; Efésios 2.13–18; 4.1–6; Filipenses 3.20; 1Pedro 2.9–12
A igreja reúne pessoas diferentes.
Cristo salva homens e mulheres de
histórias, classes, povos e experiências distintas. Essa diversidade pode
produzir decisões políticas diferentes, mesmo entre irmãos que reconhecem a
autoridade das Escrituras.
Nem toda divergência é permitida. A igreja
não pode tratar como opinião aquilo que Deus chamou de pecado. Mas também não
deve transformar toda decisão prudencial em teste de comunhão.
O evangelho cria uma unidade mais profunda
Efésios ensina que Cristo derrubou a parede
de separação e reconciliou seu povo com Deus em um só corpo, por meio da cruz.
Nossa unidade não nasce de votarmos da
mesma maneira. Nasce de termos sido comprados pelo mesmo sangue, recebidos pelo
mesmo Pai e habitados pelo mesmo Espírito.
Quando uma preferência política se torna
mais forte do que essa unidade, algo está fora do lugar.
Posso discordar de um irmão e ainda ouvi-lo
com respeito. Posso considerar sua decisão imprudente sem tratá-lo como
inimigo. Também devo estar disposto a descobrir que minha própria análise foi
incompleta.
Questão bíblica ou julgamento prudencial?
Essa distinção ajuda a preservar verdade e
comunhão.
Algumas questões possuem ensino bíblico
direto: não matar, não mentir, não roubar, não perverter a justiça. Outras
envolvem os melhores meios de aplicar princípios: qual política econômica
ajudará mais, qual estrutura administrativa funcionará melhor, qual estratégia
reduzirá determinado mal.
Podemos ter convicções fortes sobre os
meios. Mas devemos reconhecer quando estamos fazendo inferências prudenciais.
O problema aparece quando dizemos “a Bíblia
exige” onde a Bíblia nos dá princípios para um julgamento responsável.
Patriotismo sem nacionalismo idólatra
É legítimo amar o país, agradecer por seus
bens e desejar sua prosperidade. O cristão pode honrar símbolos nacionais e
servir à comunidade com gratidão.
Mas a nação não é o povo redimido de Deus.
A igreja não pertence a uma etnia ou
bandeira. Nossa cidadania final está nos céus. Irmãos de outras nações
pertencem a nós de maneira mais profunda do que compatriotas que permanecem
separados de Cristo.
O nacionalismo se torna idólatra quando a
nação recebe inocência, missão ou glória que pertencem à igreja ou ao próprio
Deus. Nenhum país é o novo Israel. Nenhuma história nacional deve ser contada
como se fosse uma história sem culpa.
Podemos agradecer pelo bem e confessar o
mal.
O púlpito deve cuidar da comunhão
O pastor não deve usar a autoridade da
Palavra para constranger a igreja a adotar suas preferências partidárias. Deve
ensinar com coragem onde a Escritura fala e com humildade onde a aplicação
exige prudência.
Isso não significa fugir de assuntos
difíceis. Significa tratá-los como pastor, não como cabo eleitoral.
Eu também preciso vigiar para que minhas
preocupações legítimas não ocupem o centro. O povo não se reúne no Dia do
Senhor para ouvir a repetição das notícias da semana. Reúne-se para ouvir a voz
de Cristo nas Escrituras.
Uma mesa maior do que o partido
Na Ceia, não nos aproximamos como blocos
eleitorais. Aproximamo-nos como pecadores que vivem da mesma graça.
O pão e o cálice anunciam que Cristo morreu
por nós. Diante dessa mesa, nossa superioridade perde o sentido.
Podemos conversar com franqueza. Podemos
corrigir e ser corrigidos. Mas não devemos permitir que aquilo que é temporário
destrua a comunhão comprada por um preço eterno.
No último artigo, voltaremos nossos olhos
para o futuro e perguntaremos: qual é a esperança política final do cristão?
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