Artigo 12 — O Reino que não
pode ser abalado
Textos-base:
Daniel 7.13–14; João 18.36; Hebreus 12.28; 2Pedro 3.13; Apocalipse 21.1–5
Todo projeto político possui prazo de
validade.
Governos começam e terminam. Constituições
podem ser preservadas ou abandonadas. Impérios que pareciam invencíveis
tornam-se matéria de livros. Até as melhores instituições carregam as marcas da
fragilidade humana.
O cristão sabe disso, mas não vive em
desespero.
Recebemos um Reino que não pode ser
abalado.
O Reino já chegou
Jesus anunciou a chegada do Reino de Deus.
Por sua morte e ressurreição, derrotou o pecado, satisfez a justiça divina e
libertou seu povo do domínio das trevas.
Onde Cristo salva e governa corações, seu
Reino já está presente.
Isso não significa que a igreja deva tomar
o controle do Estado nem que uma nação possa ser identificada com o Reino. O
governo de Cristo avança por meio da Palavra e do Espírito. Pessoas são
transportadas para esse Reino pelo novo nascimento, não por decreto civil.
A igreja é uma comunidade do Reino. Em sua
adoração, comunhão, santidade e testemunho, ela anuncia que existe outro Rei.
O Reino ainda será consumado
Ainda vemos injustiça. Ainda enfrentamos
governantes maus, leis perversas e instituições corrompidas. Ainda lutamos com
o pecado dentro de nós.
Mas Cristo voltará.
Ele julgará com perfeita justiça. Todo
segredo será revelado. Nenhuma vítima será esquecida. Nenhum opressor
conseguirá comprar o Juiz. Nenhuma mentira sobreviverá diante de sua face.
Então haverá novos céus e nova terra, nos
quais habita a justiça.
Essa é a esperança pública e cósmica do
evangelho. Deus não salvará apenas almas isoladas para uma existência sem
corpo. Ressuscitará seu povo e renovará a criação.
Esperança não é fuga
Porque esperamos a justiça perfeita,
buscamos a justiça possível agora.
Porque sabemos que nosso trabalho não
estabelecerá o Reino final, não transformamos nossas causas em ídolos.
Porque Cristo vencerá, podemos servir mesmo
quando os resultados são pequenos. Podemos dizer a verdade quando ela custa
caro. Podemos proteger o próximo sem receber reconhecimento. Podemos perder uma
eleição sem perder a esperança.
A escatologia bíblica nos livra tanto da
utopia quanto do cinismo.
Não construiremos o paraíso por meio do
Estado.
Também não cruzaremos os braços enquanto o
próximo sofre.
Estrangeiros fiéis
A igreja vive como povo peregrino. Não
despreza a cidade terrena, mas não faz dela sua pátria final.
Oramos pelas autoridades. Obedecemos às
leis justas. Resistimos quando a fidelidade a Deus exige. Trabalhamos pelo bem
comum. Falamos a verdade. Protegemos a comunhão. E recusamos entregar nossa
consciência aos poderes deste século.
Fazemos tudo isso porque pertencemos a
Cristo.
Uma última pergunta ao coração
Depois de toda discussão política, o que as
pessoas percebem em nós?
Apenas medo? Raiva? Lealdade partidária?
Desejo de vencer?
Ou percebem uma esperança que não depende
das circunstâncias?
Eu desejo participar da vida pública com
responsabilidade. Mas também preciso confessar que meu coração facilmente
espera demais dos homens e descansa pouco no Senhor.
A cura não é abandonar toda participação. É
voltar os olhos para o Rei.
Jesus Cristo foi crucificado, ressuscitou e
reina. Ele reunirá seus eleitos, sustentará sua igreja e julgará o mundo com
justiça. Quando vier, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que ele é
Senhor.
Até esse dia, sejamos cidadãos
responsáveis, vizinhos misericordiosos e testemunhas fiéis.
Sem ingenuidade.
Sem idolatria.
Sem desespero.
Nossa esperança não está no próximo
governo.
Nossa esperança está no Rei que vem.
Oração final
Senhor Deus, Rei sobre todas as nações,
livra-nos da indiferença e da idolatria.
Dá-nos sabedoria para participar da vida
pública, coragem para defender a verdade e humildade para reconhecer nossas
limitações. Ensina-nos a honrar as autoridades sem colocar nelas nossa
esperança. Guarda tua igreja da divisão, da mentira e da captura partidária.
Faz de nós um povo conhecido pela justiça,
pela misericórdia e pela fidelidade ao evangelho.
E mantém nossos olhos em Jesus Cristo, o
Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Amém.
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