Artigo 4 — Igreja e Estado:
distintos, mas debaixo do mesmo Deus
Textos-base:
Mateus 22.15–22; João 18.36; Efésios 1.20–23; 1Timóteo 3.15
“Dai, pois, a César o que é de César e a
Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).
Essas palavras de Jesus não declaram César
independente de Deus. César também pertence a Deus. Elas mostram, porém, que a
autoridade civil não é a única autoridade existente e não possui direitos
ilimitados.
Igreja e Estado são distintos.
Ambos estão debaixo de Deus, mas não
receberam a mesma missão nem os mesmos instrumentos.
O Estado possui a espada
Romanos 13 apresenta o governo civil
exercendo coerção legítima contra aquele que pratica o mal. Ele cria e aplica
leis civis, julga delitos e protege a ordem pública.
Seu instrumento característico é a espada.
Isso significa que o Estado pode exigir
determinadas condutas externas necessárias à justiça civil. Pode cobrar
impostos, prender criminosos e defender a população.
Mas a espada não produz fé.
O governo não pode obrigar alguém a amar a
Deus. Não pode criar verdadeira adoração. Não pode administrar o novo
nascimento.
A igreja possui as chaves
Cristo confiou à igreja a pregação da
Palavra, a administração das ordenanças e o exercício da disciplina. A igreja
anuncia o evangelho, forma discípulos e cuida do rebanho.
Seu instrumento não é a coerção civil. É a
Palavra aplicada pelo Espírito.
A igreja não prende o incrédulo. Ela lhe
anuncia Cristo.
Ela não conquista pela força. Serve,
testemunha, persuade e, quando necessário, sofre.
Essa distinção protege os dois lados.
Protege a igreja do controle político e protege o Estado de pretensões
clericais.
Separação não significa silêncio
Alguns concluem que, por serem distintos,
igreja e Estado não devem ter qualquer relação. Mas a igreja não pode ficar
silenciosa quando a Palavra de Deus é desprezada na vida pública.
João Batista confrontou Herodes. Os
profetas denunciaram reis e juízes injustos. Os apóstolos afirmaram que Jesus é
Senhor em um mundo que atribuía títulos absolutos a César.
A igreja deve ensinar tudo o que as
Escrituras ensinam. Isso inclui vida, justiça, verdade, sexualidade, família,
cuidado com os pobres, honestidade e uso do poder.
Contudo, existe uma diferença entre formar
consciências pela Palavra e controlar votos pelo púlpito.
O pastor deve anunciar princípios bíblicos
com clareza. Não deve transformar a pregação em comício. A igreja precisa
conservar liberdade para confrontar qualquer partido quando ele chama o mal de
bem.
O perigo de uma igreja capturada
Quando a igreja se torna braço religioso de
um movimento político, perde sua independência profética.
Começa a selecionar pecados conforme a
conveniência. Denuncia os erros do adversário e silencia sobre os erros do
aliado. O nome de Cristo passa a ser usado para legitimar agendas que nunca
deveriam receber autoridade espiritual.
Isso fere a igreja.
Também confunde o mundo. Pessoas podem
rejeitar não o evangelho, mas uma ideologia apresentada indevidamente como se
fosse o próprio evangelho.
Precisamos dizer com clareza: nenhuma
plataforma partidária é o Reino de Deus.
Cristo é o cabeça da igreja
A igreja pertence a Cristo. Ele a comprou
com seu sangue. Nenhum governante, partido ou nação pode ocupar seu lugar.
O Reino de Cristo não se origina deste
mundo, mas já invade este mundo pela verdade do evangelho e pela vida do povo
redimido. A igreja não precisa tomar a espada para ser relevante. Precisa ser
fiel.
Quando prega Cristo, pratica o bem e mantém
uma consciência livre diante dos poderes, ela dá testemunho de um Reino
superior.
No próximo artigo, veremos como honrar autoridades sem lhes oferecer obediência absoluta.
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