Artigo 3 — Poder nas mãos de
pecadores
Textos-base:
Gênesis 6.5; Jeremias 17.9; Marcos 7.20–23; Eclesiastes 8.9
É comum reconhecer o pecado nos adversários
e esquecê-lo nos aliados.
Quando o outro grupo governa, exigimos
limites, transparência e prestação de contas. Quando o nosso grupo chega ao
poder, podemos tratar essas mesmas exigências como obstáculos inconvenientes.
A doutrina bíblica do pecado não permite
essa incoerência.
A queda não respeita partidos
A depravação humana não significa que todas
as pessoas sejam tão más quanto poderiam ser. Significa que o pecado alcançou
todo o nosso ser. Mente, desejos, afetos e vontade foram corrompidos. Nenhum
grupo humano está livre dessa realidade.
O pecado não está somente à esquerda.
O pecado não está somente à direita.
Ele não mora apenas no palácio, no
congresso ou nos tribunais. Também está no coração do eleitor. Está em mim e em
você.
Isso explica por que projetos que começam
falando em justiça podem terminar protegendo privilégios. Explica por que
líderes que prometem servir podem passar a usar pessoas. Explica também por que
cidadãos toleram no próprio candidato aquilo que condenariam imediatamente no
adversário.
O poder precisa de limites
Como seres humanos são pecadores, o poder
civil deve ser limitado, distribuído e fiscalizado.
Prestação de contas não é falta de
confiança na providência de Deus. É reconhecimento daquilo que a Bíblia ensina
sobre o coração humano.
Leis claras, processos justos, autoridades
sujeitas à lei e mecanismos de fiscalização podem servir como instrumentos da
graça comum. Eles não eliminam o pecado, mas dificultam que uma única pessoa ou
instituição exerça domínio sem correção.
Isso vale mesmo quando confiamos no caráter
de quem governa. Uma estrutura justa não deve depender apenas da bondade
pessoal do ocupante de um cargo.
Perguntas importantes precisam ser feitas:
·
O governante respeita os
limites de sua autoridade?
·
Trata a verdade como obrigação
ou apenas como ferramenta?
·
Aceita investigação e correção?
·
Protege a liberdade de quem
discorda?
·
Usa o poder para servir ou para
se perpetuar?
O cristão não deve temer essas perguntas. A
verdade não ameaça uma causa justa.
A idolatria partidária enfraquece a consciência
Um sinal de idolatria aparece quando nossa
avaliação moral muda conforme o nome do envolvido.
Se uma mentira é grave quando vem do
adversário, continua grave quando vem do aliado.
Se o abuso de autoridade é condenável no
outro partido, continua condenável no nosso.
Se a dignidade humana deve ser protegida,
ela precisa ser protegida mesmo quando isso não produz vantagem eleitoral.
Não estou escrevendo como quem já venceu
essa tentação. Também preciso pedir ao Senhor que revele minhas parcialidades.
Todos temos facilidade para reunir provas contra os outros e oferecer desculpas
para nós mesmos.
A Palavra, porém, não foi dada para
confirmar nossas preferências. Foi dada para julgar os pensamentos e propósitos
do coração.
A graça nos torna honestos
O evangelho nos dá liberdade para
reconhecer o pecado do nosso grupo. Nossa justificação não depende de estarmos
politicamente certos em tudo. Somos aceitos por Deus por causa da justiça de
Cristo, não por causa da pureza da nossa análise.
Por isso, não precisamos encobrir os erros
dos nossos aliados para proteger nossa identidade.
Na cruz, Deus não tratou o pecado como algo
pequeno. Cristo carregou a culpa do seu povo. Na ressurreição, Deus declarou a
vitória do Filho. Essa graça nos ensina a abandonar as desculpas e andar na
luz.
Uma política mais responsável começa com
uma visão mais honesta do coração humano.
No próximo artigo, veremos como distinguir
igreja e Estado sem separar a fé da vida pública.
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