Artigo 9 — Justiça,
misericórdia e o serviço ao próximo
Textos-base:
Isaías 1.16–17; Miqueias 6.8; Provérbios 31.8–9; Jeremias 29.7
A política não é apenas uma disputa por
poder.
Decisões públicas afetam pessoas reais. Uma
lei pode proteger ou expor. Um orçamento pode servir com responsabilidade ou
alimentar corrupção. Uma autoridade pode defender o fraco ou favorecer o
poderoso.
Por isso, o cristão não pode pensar apenas
em seus próprios interesses.
Amar o próximo possui consequências
públicas.
A justiça pertence ao caráter de Deus
A Bíblia não trata a justiça como invenção
de um partido. Deus é justo. Ele condena balanças desonestas, juízes corruptos,
falso testemunho, opressão e violência.
Os profetas falaram repetidamente em favor
do pobre, da viúva, do órfão e do estrangeiro. Não porque essas pessoas fossem
automaticamente justas, mas porque sua fragilidade as tornava alvos fáceis de
quem possuía poder.
“Abre a boca a favor do mudo, pelo direito
de todos os que se acham desamparados” (Pv 31.8).
Essa palavra examina nossa política.
Estamos preocupados apenas com aquilo que
nos atinge? Conseguimos perceber o sofrimento de quem não pertence ao nosso
grupo? Defendemos a dignidade humana de maneira coerente?
Justiça não é favoritismo invertido
Proteger o vulnerável não significa
abandonar a verdade ou tratar alguém como inocente apenas por pertencer a
determinado grupo. A justiça bíblica não troca um favoritismo por outro.
Ela exige julgamento imparcial, prova
verdadeira e medida correta.
Também não devemos confundir compaixão com
políticas necessariamente sábias. Cristãos podem concordar sobre o dever de
ajudar e discordar honestamente sobre os melhores meios. Uma proposta
bem-intencionada pode gerar dependência, desperdício ou outros males. Outra
pode falar em responsabilidade e ignorar barreiras e sofrimentos reais.
Precisamos unir convicção moral e prudência
prática.
A participação vai além da urna
Votar é apenas uma parte da cidadania.
O cristão pode servir em cargos públicos,
acompanhar decisões locais, ajudar vítimas, defender leis justas, participar de
conselhos, apoiar instituições honestas e cobrar prestação de contas.
José serviu no Egito. Daniel exerceu
responsabilidade em governos pagãos. Neemias ocupou função pública e usou sua
posição para servir. Nenhum deles viveu em condições perfeitas.
O serviço público pode ser uma vocação
legítima. Mas quem entra nele precisa lembrar que autoridade é serviço, não
oportunidade de exaltação.
Buscar o bem da cidade
Jeremias orientou os exilados a buscar a
paz da cidade onde viviam e a orar por ela. Eles não deveriam confundir
Babilônia com Jerusalém. Também não deveriam viver com desprezo pelo lugar de
seu exílio.
Essa tensão nos ensina.
Nossa cidadania está nos céus, mas ainda
temos vizinhos na terra. Não adoramos a nação, mas desejamos seu bem. Não
confundimos prosperidade temporal com salvação, mas trabalhamos para que
pessoas possam viver com segurança, dignidade e liberdade.
A justiça da cruz
Na cruz, justiça e misericórdia se
encontram. Deus não ignorou nossa culpa. Cristo a carregou. E pecadores que
nada podiam exigir receberam graça.
Isso muda a maneira como servimos.
Buscamos justiça sem arrogância, porque
também somos culpados alcançados pela misericórdia. Praticamos misericórdia sem
negar a verdade, porque Deus não tratou o pecado como algo insignificante.
O próximo artigo tratará de um campo no
qual nossa fidelidade é provada diariamente: as palavras, as notícias e as
redes sociais.
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