Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
servir a Deus e aos outros é uma daquelas
expressões que a gente repete tanto que, às vezes, corre o risco de se tornar
apenas uma frase bonita. Mas, se a gente parar um pouco e olhar com calma, vai
perceber que servir é o jeito de viver de quem foi alcançado pela graça. Não é
um extra opcional para cristãos “mais firmes”. É fruto natural de um coração
que conheceu o amor de Deus em Cristo.
Quando perguntaram a Jesus qual era o grande
mandamento da Lei, Ele respondeu com algo simples e profundo: “Amarás o Senhor,
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento (…) e o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a
ti mesmo” (Mt 22.37-39). Percebe? Amar a Deus e amar o próximo caminham juntos.
Não existem como dois projetos separados. Servimos a Deus quando servimos
pessoas; e só servimos pessoas de modo que agrade a Deus quando o fazemos por
amor a Ele.
O problema é que o nosso coração, por natureza,
não gosta muito de servir. A gente gosta de ser servido, ser reconhecido, ser
elogiado. Servir em silêncio, com fidelidade, sem aplauso, cansa. Dar e não
receber de volta dói. É por isso que o evangelho não começa dizendo “sirva
mais!”, e sim “olhe para Cristo”. Ele é o padrão e a fonte do nosso serviço.
Jesus, sendo Senhor de tudo, assumiu a forma de servo (Fp 2.7). Ele mesmo
disse: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para
servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45). Antes de nos mandar
servir, Ele serviu primeiro.
Servir com amor e dedicação não é apenas fazer
muitas coisas; é fazer para a glória de Deus, sustentado pela graça de Deus.
Tem gente que faz muito, mas faz para ser visto. Tem gente que se desgasta em
ministérios, trabalhos, atividades, mas o coração vai ficando ressentido,
amargo, porque sente que ninguém percebe, ninguém agradece. A verdade é que, se
o nosso coração não estiver ancorado em Cristo, até o serviço “para Deus” vira
palco para o nosso ego.
Talvez você conheça bem esse cansaço. Você se doa
pela família, pela igreja, por amigos, e às vezes tem a sensação de estar
sempre “no bastidor”, nunca no centro da cena. Outros recebem o crédito, outros
são lembrados, outros aparecem. E o seu coração, bem lá no fundo, pergunta:
“Será que vale a pena?”. A Palavra de Deus responde com firmeza e ternura:
“sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que,
no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). No Senhor, nunca é vão. Nada
é esquecido. Nenhuma lágrima, nenhum gesto, nenhuma renúncia passa despercebida
aos olhos do Pai.
Servir com amor é, muitas vezes, coisa bem
simples: lavar uma louça que não era sua, ouvir com paciência de novo a mesma
história, ajudar alguém sem contar vantagem, orar por quem talvez nem saiba que
você orou, estar presente quando seria mais fácil se afastar. O mundo pode até
chamar isso de fraqueza ou perda de tempo. Mas, no reino de Deus, isso tem
cheiro de Cristo. Em Gálatas 5.13, Paulo nos lembra: “sede, antes, servos uns
dos outros, pelo amor”. Não é pela pressão, pelo medo nem pela tentativa de ganhar
pontos com Deus. É “pelo amor”, esse amor que Ele derramou primeiro em nossos
corações (Rm 5.5).
E servir com dedicação? Dedicação não é ativismo.
Não é lotar a agenda de coisas “espirituais” e esvaziar o coração de comunhão
com Cristo. Dedicação é perseverança humilde: é continuar servindo mesmo quando
a fase é difícil, continuar amando mesmo quando o outro não responde como você
esperava, continuar fiel no pequeno, na rotina, naquilo que ninguém vê,
confiando que é o Senhor quem avalia o coração. Nós não somos salvos pelo que
fazemos, mas fomos salvos para boas obras (Ef 2.8-10). Elas são fruto da graça,
não moeda de troca com Deus.
Talvez, enquanto você lê isso, venha à mente uma
área específica em que servir tem sido pesado. Talvez seja dentro de casa, num
casamento em crise, num relacionamento desgastado com filhos ou pais. Talvez
seja na igreja, num ministério em que você se sente sozinho, sem apoio. Talvez
seja no trabalho, lidando com injustiças e ingratidão. Eu não vou romantizar:
servir dói. Amar custa. Dedicar-se cansa. É por isso que você precisa lembrar,
todos os dias: você não serve para ser amado por Deus; você serve porque já foi
amado em Cristo. O amor de Deus não é salário pelo seu serviço, é a fonte dele.
Querido leitor, olhe para a cruz mais uma vez.
Ali, o Servo perfeito se entregou totalmente, por amor. Ali, vemos o serviço
supremo: o Filho de Deus dando a vida pelos inimigos, para fazer deles filhos.
Quando esse amor nos alcança, o coração vai sendo refeito. E, pouco a pouco,
pela ação do Espírito, vamos aprendendo a lavar pés, a abrir mão de direitos, a
doar tempo e atenção, a dizer: “Senhor, usa a minha vida, nas coisas grandes e
nas pequenas, para a Tua glória e o bem de outros”.
Que o Senhor renove hoje o seu ânimo, cure o
cansaço escondido, arranque o ressentimento que às vezes nasce no serviço e
encha o seu coração de alegria em agradá-Lo. Que você possa servir a Deus e aos
outros com amor e dedicação, não na força da sua vontade, mas na força da
graça. E que, um dia, quando estiver diante de Cristo, possa ouvir, pela pura
misericórdia dEle: “Muito bem, servo bom e fiel” (Mt 25.21). Até lá, que Ele
mesmo sustente as suas mãos, guarde o seu coração e faça do seu serviço um perfume
de Cristo no lugar em que você está. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
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