Bem-vindos! 🖐️
Querido irmão, querida irmã,
viver uma vida
autêntica, hoje, parece quase um ato de rebeldia. Tudo ao nosso redor nos
empurra para caber em algum molde: jeito de falar, de se vestir, de pensar, de
postar. O mundo grita: “seja você mesmo!”, mas, no fundo, exige que você seja
igual a todo mundo. E, no meio dessa barulheira, o coração cristão é chamado a
algo diferente: viver diante de Deus, com sinceridade, sem concessões ao
mundanismo e às suas tentações.
A Bíblia não é
ingênua sobre isso. Paulo escreve: “E não vos conformeis com este século, mas
transformai-vos pela renovação da vossa mente…” (Rm 12.2). A imagem é forte:
“não tomem a forma” deste mundo. É como se o sistema do mundo fosse uma fôrma,
um molde, tentando apertar a nossa vida até ficarmos iguais a ele. O mundanismo
não é apenas ir a certos lugares ou ouvir certas músicas; é, antes de tudo, uma
maneira de pensar, de desejar, de medir o que é “sucesso” e “felicidade” sem
Deus no centro.
João diz de forma
ainda mais direta: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo (…) porque
tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e
a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1Jo 2.15-16). O
mundanismo é esse encanto silencioso que tenta convencer você de que prazer,
posse e prestígio são suficientes para satisfazer o coração. E, se formos
honestos, muitas vezes nós negociamos: cedemos um pouco aqui, outro tanto ali,
até que aquilo que antes nos incomodava, passa a parecer normal.
Mas o chamado do
evangelho é para autenticidade. E autenticidade, do ponto de vista bíblico, não
é “faço o que eu quero, porque esse sou eu”. Autenticidade verdadeira é viver
de acordo com quem Deus diz que você é em Cristo. Você não é mais escravo do pecado,
ainda que lute com ele. Você não é mais definido pelo que o mundo aplaude ou
rejeita, mas pelo amor com que foi amado na cruz. Paulo resume assim: “Já não
sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20). Viver autenticamente é,
então, deixar que essa nova identidade em Cristo apareça na prática, mesmo
quando isso custa.
Talvez, para você,
as tentações e atrações do mundo hoje tenham rosto e endereço. Pode ser a
vontade de caber num grupo, aceitando conversas e comportamentos que você sabe
que não agradam ao Senhor. Pode ser o fascínio silencioso por uma vida
“perfeita” como a que você vê nas redes, e que aos poucos alimenta inveja,
comparação, insatisfação com aquilo que Deus te deu. Pode ser um relacionamento
em que você sabe que tem atravessado limites, mas ainda assim se convence de
que “Deus entende”. O mundanismo é sutil; ele não vem, normalmente, com placas
de neon dizendo: “pecado!”. Ele vem como um atalho aparentemente mais fácil
para ser feliz.
É por isso que não
basta dizer “não ao mundo”; é preciso dizer “sim” a Cristo. Uma vida sem
concessões ao mundanismo não é uma vida cinza, sem alegria, trancada em medo. É
uma vida cheia, mas cheia de outra coisa: da graça, da presença, da Palavra de
Deus. Tito 2.11-12 nos lembra que “a graça de Deus se manifestou salvadora…
educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no
presente século, sensata, justa e piedosamente”. Percebe? Quem nos ensina a
dizer “não” ao mundo é a graça, não o moralismo.
Viver essa
autenticidade vai ter, muitas vezes, uma aparência bem simples. Às vezes vai
ser ficar em silêncio quando todos riem de algo que você sabe que fere o
coração de Deus. Vai ser apagar uma conversa que está indo para um lugar
perigoso. Vai ser fechar uma página, parar um vídeo, mudar de ambiente. Vai ser
dizer “não” a uma proposta que poderia te dar mais dinheiro, mas te tirar a
integridade. Vai ser discordar com respeito quando a maioria afirma valores
contrários à Palavra. Aos olhos do mundo, isso é exagero. Aos olhos do Pai, é
amor obediente.
Mas eu sei: isso
custa. Dá medo de ficar sozinho. Dá medo de ser taxado de “careta”, “crente
chato”, “radical”. E, às vezes, dói perceber que até dentro da igreja o
mundanismo tem espaço, que valores de consumo, sucesso e aparência entram pelas
portas do culto, se vestem com roupa religiosa e tentam nos moldar. Nesse
cenário, o seu coração pode ficar cansado, confuso, até tentado a pensar: “Será
que vale a pena nadar contra a corrente? Será que precisa mesmo ser tão
firme?”.
É nessa hora que
precisamos voltar os olhos para Jesus. Ele é o modelo perfeito de vida
autêntica. Não fez concessões para ser aceito, não diluiu a verdade para ser
aplaudido, não negociou a santidade para escapar da cruz. E, ao mesmo tempo,
não viveu uma santidade amarga, mas cheia de amor, misericórdia, compaixão. Ele
caminhou nesse mundo sem ser do mundo. Na oração sacerdotal, Jesus pede ao Pai:
“Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal… Santifica-os na
verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.15,17). A nossa proteção contra o
mundanismo não é isolamento geográfico, é enraizamento na Palavra.
Querido leitor,
talvez hoje você precise dar nome a algumas concessões que têm se instalado no
seu coração. Talvez não sejam coisas grandes aos olhos dos outros, mas você
sabe que, ali dentro, houve uma curva, uma acomodação, uma entrega lenta a
valores que não combinam com o evangelho. Não fuja disso. Leve isso ao Senhor,
com sinceridade. A vida autêntica começa com um coração verdadeiro diante de
Deus, que não finge estar mais santo do que está, nem se conforma em ficar onde
está.
Que o Senhor te ajude a viver, dia após dia, com os pés
neste mundo, mas o coração no céu; com as mãos ocupadas nas tarefas de cada
dia, mas a mente cativa à Palavra; cercado pelas vozes do século, mas guiado
pela voz do Bom Pastor. Que Ele mesmo te dê coragem para dizer “não” ao que
precisa ser negado, e alegria para dizer “sim” a tudo o que vem dEle. E que,
quando o mundo tentar te seduzir com seus brilhos passageiros, o Espírito Santo
faça Cristo brilhar mais forte diante dos seus olhos. Nele, e só nele, você
pode viver uma vida verdadeiramente autêntica, sem concessões, cheia de graça e
verdade. Amém.
✍️ Pr. Jorge R. Lisboa
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