Artigo 7 — Como votar sem
vender a consciência
Textos-base:
Romanos 14.5,12,23; Filipenses 1.9–10; Tiago 1.5; Provérbios 14.15
A Bíblia não apresenta uma cédula eleitoral
preenchida.
Ela não menciona nossos partidos ou
candidatos. Ainda assim, oferece a verdade necessária para formar uma
consciência fiel diante de Deus.
Votar é uma decisão de prudência cristã.
Não é uma escolha moralmente vazia. Mas nem
sempre obriga todos os cristãos fiéis à mesma conclusão.
A consciência precisa ser formada
Seguir a consciência não é suficiente se
ela estiver mal instruída.
Nossa consciência deve ser submetida à
Palavra, com oração, informação responsável e disposição para ser corrigida.
Antes de votar, devemos avaliar pelo menos
cinco dimensões.
1. Caráter
O candidato demonstra respeito pela
verdade? Usa o poder para servir? Há um padrão conhecido de corrupção,
crueldade ou abuso?
Caráter não é o único critério, mas nunca é
irrelevante. Vícios pessoais graves alcançam o exercício público.
2. Princípios e propostas
Quais bens e males estão envolvidos? A vida
humana é protegida? A família é respeitada? Os fracos recebem justiça? A
liberdade de consciência é preservada? O crime e a corrupção são enfrentados de
maneira legítima?
Nem todas as questões possuem o mesmo peso.
Precisamos distinguir preferências administrativas de violações graves da
justiça.
3. Competência
Boas intenções não bastam. O candidato
possui capacidade para exercer o cargo? Compreende os limites de sua função?
Consegue formar uma equipe responsável e administrar recursos?
4. Consequências previsíveis
Uma proposta pode soar bem e produzir
resultados destrutivos. A prudência considera efeitos prováveis, não apenas
slogans.
5. Limites do cargo
Não devemos atribuir a um candidato poderes
que ele não terá. Uma promessa pode estar fora da competência daquele cargo.
Avaliar isso protege contra propaganda e frustração.
E quando todas as opções são ruins?
Às vezes, o eleitor enfrenta alternativas
profundamente imperfeitas.
Cristãos comprometidos com a Escritura
podem escolher caminhos diferentes: votar na opção menos prejudicial, apoiar
uma alternativa, votar apenas em alguns cargos ou, onde a lei permitir, não
escolher candidato para determinada função.
Essas decisões não são igualmente sábias em
toda circunstância. Muitas, porém, envolvem julgamento prudencial, e não
mandamento bíblico explícito.
O voto em um candidato imperfeito não
significa necessariamente aprovação de tudo o que ele representa. Mas também
não nos livra de responsabilidade. Precisamos considerar que males estamos
ajudando a impedir e que males podemos estar ajudando a fortalecer.
Cuidado com os atalhos espirituais
É perigoso afirmar: “Todo cristão
verdadeiro votará em...”
Tal declaração exige autorização bíblica
muito clara. O pastor deve ensinar princípios, denunciar pecados e ajudar a
formar a consciência. Não deve ocupar o lugar da consciência dos membros onde a
Escritura permite avaliação prudencial.
Isso não é relativismo. Existem posições
políticas contrárias à lei de Deus. Existem candidatos cuja conduta deve pesar
seriamente contra eles. Mas nem toda escolha eleitoral pode ser resolvida por
uma frase pronta.
Graça para decidir com humildade
Nossa salvação não depende de acertarmos
todas as análises políticas. Somos justificados pela fé em Cristo.
Essa graça não torna o voto descuidado.
Torna o eleitor humilde. Podemos pesquisar, orar, decidir e ainda reconhecer
nossa limitação.
Eu posso errar em minha avaliação. Você
também pode.
Para examinar a consciência
Estou buscando informações responsáveis ou
apenas conteúdos que confirmam minha preferência?
Meus critérios morais permanecem os mesmos
quando avalio candidatos diferentes?
Consigo explicar minha decisão sem atribuir
ao candidato uma esperança que pertence somente a Cristo?
Por isso, votemos com convicção, mas sem
transformar nossa escolha em medida final da fidelidade alheia. E, depois da
eleição, continuemos responsáveis por cobrar aquilo que é justo, inclusive de
quem recebeu nosso voto.
No próximo artigo, aprofundaremos o
problema do candidato imperfeito e a diferença entre escolha prudencial e
lealdade incondicional.
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